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Trump ataca democratas e tiro sai pela culatra: 51% o consideram racista

Pesquisa mostra que presidente americano é considerado mais preconceituoso do que ex-governador favorável à segregação racial nos anos 1960

Após duas semanas de ataques contínuos de cunho racista e xenófobo contra deputados democratas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi considerado racista por 51% do eleitorado entrevistado em uma pesquisa realizada pela Universidade de Quinnipiac, no estado de Connecticut. O porcentual é bem maior do que o recebido pelo ex-o ex-governador segregacionista do Alabama e candidato à Casa Branca George Wallace, um opositor ferrenho aos movimentos de Direitos Civis nos anos 1960. 

Trump classifica-se como a “pessoa menos racista no mundo”. Mas a percepção de racismo nas declarações e na conduta do presidente é majoritária na população afrodescendente. Segundo a pesquisa, 80% dos que se declararam negros o consideram racista, assim como 46% dos americanos brancos. Em contrapartida, 50% do eleitorado branco não o vê dessa forma.

Para a pesquisa, em nível nacional, 1.306 pessoas foram entrevistadas entre os dias 25 e 26 de julho. A margem de erro é de 3,4 pontos percentuais para mais ou para menos. Em setembro 1968, a consulta pública feita pelo instituto Louis Harris & Associates constatou que 41% dos americanos consideravam Wallace racista.

O então governador do Alabama, Gerge C. Wallace: promessa de “segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre” – 14/01/1963

O então governador do Alabama, Gerge C. Wallace: promessa de “segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre” – 14/01/1963 (Bettmann/Getty Images)

Ao ser perguntado se os ataques que fez contra seus adversários ideológicos são uma estratégia de campanha, Trump negou. “Não há estratégia. Não tenho estratégia”, afirmou. Seu índice de aprovação, contudo, não se moveu um ponto percentual entre os meses de junho e julho deste ano, ficando estagnado em 43%.

Trump passou os últimos 15 dias em um vespeiro provocado por ele mesmo. No último dia 15 de julho, atacou o grupo de deputadas democratas popularmente conhecido como “O Esquadrão” ao dizer, no Twitter, que elas deveriam voltar para “os lugares totalmente quebrados e infestados com crime de onde vieram” e que elas eram “racistas”. O presidente também disse que as parlamentares não amavam o país em que viviam.

Das quatro deputadas atacadas, apenas a democrata Ilhan Omar não nasceu nasceu nos Estados Unidos e é de família somali, porém, possui nacionalidade americana. Em um comício no estado da Carolina do Norte, Donald Trump voltou ao assunto e sua platéia começou a entoar cantos com frases como “Mande-a de volta!”, em referência a Omar.

“O Esquadrão” é um grupo de deputadas que se opõe às políticas imigratórias de Donald Trump. Ele é composto, além de Ilhan Omar, das congressistas Alexandria Ocasio-Cortez, de família porto-riquenha, Rashida Tlaib, de família palestina e a afro-americana Ayanna Pressley

Após os ataques, Trump recebeu críticas de políticos de dentro do partido Republicano e uma resolução bipartidária no Congresso classificou os comentários do presidente como racistas. Mesmo assim, ele negou-se a pedir desculpas pelo que disse.

Na semana passada, Donald Trump voltou ao Twitter para atacar mais um congressista negro, o democrata Elijah Cummings, que representa o estado de Maryland. Disse o presidente que um distrito de Baltimore, onde Cummings nasceu, é “detestável e infestado de ratos nojentos”. Não contente, Trump sugeriu que o deputado voltasse para arrumar a bagunça de sua cidade.

Em meio a esses ataques claramente racistas, um vídeo viralizou no Twitter. O jornalista da emissora de televisão CNN Victor Blackwell argumenta na filmagem que toda vez que o presidente americano faz um comentário contra congressistas negros ou que representam minorias, usa a palavra “infestado”.

“Ele [Donald Trump] sempre insulta centenas de pessoas no Twitter, mas quando fala a palavra ‘infestação’, refere-se a pessoas negras e pardas”, afirmou Blackwell, que também é negro. No fim do vídeo, o jornalista, visivelmente alterado, respira fundo e chama os comerciais.

Um pedido de impeachment chegou a ser protocolado no Congresso contra Donald Trump por suas falas racistas e xenófobas. Mas a democrata e presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, avessa à ideia, o engavetou.