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Trump associou ajuda à Ucrânia a investigação, diz Bolton em livro

Presidente nega relato divulgada pelo jornal 'New York Times' de que tinha intenções de congelar auxílio militar a Kiev em troca de informações sobre rivais

Por Da Redação - 27 jan 2020, 12h41

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a seu então assessor de Segurança Nacional em agosto de 2019 que queria congelar o auxílio militar de 391 milhões de dólares prometido à Ucrânia em troca de investigações sobre políticos democratas, incluindo o ex-vice-presidente Joe Biden, segundo o jornal The New York Times.

A declaração está no manuscrito do livro escrito pelo ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca John Bolton, de acordo com o Times.

A reportagem, que não citou diretamente o manuscrito, mas várias pessoas que confirmam o relato de Bolton, aumentou ainda mais a pressão para que os republicanos convoquem Bolton como testemunha no julgamento de impeachment de Trump no Senado.

Se a revelação for verdadeira, pode ainda minar um elemento-chave da defesa de Trump: que não houve contrapartida quando ele pediu ao presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, durante um telefonema em julho, para investigar Biden e seu filho Hunter Biden.

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Biden é um dos principais candidatos à nomeação democrata para enfrentar Trump nas eleições de 3 de novembro. Seu filho trabalhou para uma empresa de energia ucraniana enquanto Biden era vice-presidente.

Pelo Twitter, Donald Trump negou que ter dito a Bolton que a ajuda militar estava condicionada à investigação de Kiev sobre seus adversário políticos.

“NUNCA disse a John Bolton que a ajuda à Ucrânia estava ligada às investigações dos democratas, incluindo os Biden. De fato, nunca se queixou disso no momento de sua saída bem pública” do governo, tuitou Trump na manhã desta segunda-feira, 27. “Se John Bolton disse isso, foi apenas para vender um livro”, minimizou.

Em um comunicado, um advogado de Bolton sugeriu que a descrição do Times é precisa e disse que havia submetido o manuscrito de Bolton ao Conselho de Segurança Nacional em 30 de dezembro — uma revisão de segurança padrão para informações confidenciais.

“Está claro, lamentavelmente, com a reportagem do The New York Times publicada hoje, que o processo de revisão de pré-publicação foi corrompido e que as informações foram divulgadas por pessoas que não estavam envolvidas na revisão do manuscrito”, disse o advogado Charles Cooper.

A reportagem gerou demandas de democratas para a convocação de Bolton como testemunha pelo Senado, que está conduzindo um julgamento sobre a destituição de Trump do cargo após aprovação de impeachment em 18 de dezembro pela Câmara dos Deputados. O Senado é controlado pelos republicanos.

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Os democratas precisam conquistar pelo menos quatro republicanos do Senado para aprovar a convocação de testemunhas. Bolton disse neste mês que estava disposto a depor no julgamento se uma intimação do Senado fosse emitida.

De acordo com a programação no Senado, os advogados de Trump irão, nesta segunda-feira, retomar sua defesa no julgamento de impeachment decorrente das negociações do presidente com a Ucrânia. Uma votação final sobre a convocação de testemunhas pode ocorrer mais para o final da semana.

Trump nega irregularidades e considera o processo de impeachment uma farsa.

(Com Reuters e AFP)

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