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Trump ameaça fechar fronteira com o México se não houver acordo

Presidente reconhece que medida traria impactos econômicos, mas afirma que "segurança é mais importante"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse, nesta terça-feira 2, que está “100%” pronto para fechar a fronteira com o México, caso as autoridades do país vizinho não consigam interromper o fluxo de migrantes.

“Se eles [México] não fizerem isso ou se não conseguirmos um acordo com o Congresso, a fronteira será fechada, isso é 100% certo”, declarou Trump a jornalistas, embora tenha dito ainda não ter “tomado a decisão”.

O presidente declarou, ainda, que talvez sejam fechados trechos e não toda a fronteira. “É certo que isso teria um impacto negativo na economia (…) mas a segurança é mais importante”, acrescentou.

O chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, porém, declarou que o secretário americano de Estado, Mike Pompeo, lhe garantiu que não haverá o fechamento da fronteira.

“Até o dia de hoje (terça-feira), Pompeo e sua equipe têm dito que não aplicará esta política de fechar a fronteira”, destacou Ebrard em entrevista coletiva.

A ameaça de se interromper um fluxo comercial que somou 612 bilhões de dólares em 2018 provocou advertências a Trump inclusive do seu próprio partido republicano.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, disse a jornalistas que concorda que há uma crise na fronteira, mas advertiu para sobre as consequências econômicas.”Fechar a fronteira terá um impacto potencialmente catastrófico para nosso país e espero que ele não faça nada neste sentido”.

A Câmara de Comércio americana advertiu que o fechamento será “um desastre garantido”, já que cinco milhões de empregos dependem do comércio com o México.

O conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, revelou que está sendo desenvolvido um plano para minimizar o impacto de um eventual fechamento. “A questão é se podemos lidar com isto e não ter um prejuízo econômico”, disse Kudlow à rede CNBC.

A secretária de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen, encurtou uma viagem à Europa para participar de uma reunião prevista para esta terça-feira sobre a crise na fronteira.

Um funcionário do departamento de Segurança Nacional que pediu para não ser identificado disse a jornalistas que ainda não há uma decisão sobre o tema. “Agora mesmo todas as opções estão sobre a mesa”.

“O volume da população vulnerável que está chegando é insustentável (…). A situação humanitária não pode ser ignorada e a situação de segurança não pode ser ignorada”.

Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sander, advertiu que as palavras de Trump não eram ameaças. “Ele está fazendo seu trabalho como comandante em chefe de uma forma séria para proteger o povo americano”, afirmou Sanders.

Fechar a fronteira “não é nossa primeira opção”, admitiu a porta-voz, acrescentando que “talvez seja a melhor decisão”.

(Com AFP)