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Trump ameaça decretar emergência nacional para erguer muro na fronteira

O presidente americano confirmou que poderia manter o governo paralisado por 'meses ou até por um ano'

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 5 jan 2019, 13h35 - Publicado em 5 jan 2019, 09h01

Diante da resistência da oposição democrata em financiar a construção de um muro na fronteira com o México, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou declarar emergência nacional para realizar a obra. A medida dispensaria a aprovação de fundos pelo Congresso, dominado pelos republicanos no Senado, mas com maioria democrata na Câmara dos Deputados desde quinta-feira.

“Eu posso fazer (decretar emergência nacional) se eu quiser”, disse Trump em entrevista coletiva nos jardins da Casa Branca, após se reunir com líderes democratas no Salão Oval para discutir a paralisação parcial do governo, que já dura duas semanas. A paralisação mais longa da história americana ocorreu no governo de Bill Clinton – 21 dias -, entre dezembro de 1995 e janeiro de 1996.

Trump confirmou que poderia manter o governo americano paralisado por “meses ou até por um ano”. O presidente, no entanto, prometeu manter as negociações com os democratas. “Vamos trabalhar duro no fim de semana e ver o que conseguiremos.”

Questionado se estava orgulhoso da paralisação, Trump afirmou que estava “orgulhoso” por ter feito mais nos últimos dois anos do que qualquer outro presidente dos EUA.

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“O Nafta (acordo de livre-comércio com México e Canadá) foi um desastre e eu renegociei. Fizemos a reforma tributária, criamos empregos e geram bilhões de dólares para os EUA”, afirmou Trump, acrescentando que o dinheiro para o muro na fronteira com o México seria uma ninharia se comparado com as receitas criadas por seu governo com a renegociação do Nafta.

Na noite de quinta-feira, horas após assumir o controle da Câmara dos Deputados, os democratas aprovaram um pacote orçamentário para o fim da paralisação, mas novamente não deram dinheiro para a construção do muro.

A sessão foi comandada pela democrata Nancy Pelosi, eleita presidente da Casa horas antes. “O presidente não pode manter funcionários públicos como reféns porque ele quer construir um muro”, disse Pelosi.

O projeto orçamentário dos deputados, contudo, precisa ser votado pelo Senado, que deve derrubá-lo. “Eu chamaria isso de teatro político, não de prática legislativa produtiva”, afirmou o líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell.

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Reajuste

A falta de salários ganhou ontem um componente incômodo depois que o jornal Washington Post revelou que, enquanto 800 mil servidores federais estão sem pagamento, centenas de assessores do alto escalão do presidente Trump estão prestes a receber um aumento anual de cerca de U$ 10 mil.

O aumento a secretários, vice-secretários, administradores e até mesmo ao vice-presidente, Mike Pence, está programado para ser pago a partir de hoje sem necessidade de aval do Congresso.

O aumento é uma consequência curiosa da paralisação: quando os congressistas não votaram o orçamento, no dia 21, permitiram que uma antiga lei que congelava os reajustes do alto escalão fosse derrubada.

Em 2013, o Congresso americano promulgou a lei que limita os reajustes de salário dos principais executivos federais, mas ela precisa ser renovada todo ano. Mas, desta vez, os aumentos ocorrerão porque o limite para renovar a lei expira amanhã sem que haja nenhuma ação legislativa.

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Secretários de gabinete, por exemplo, poderão ter seus salários aumentados de US$ 199,7 mil para US$ 210,7 mil ao ano. Subsecretários receberiam aumentos de US$ 179,7 mil para US$ 189,6 mil anuais. Outros beneficiados serão vice-diretores e vários funcionários de alto escalão do governo.

O salário de Pence está programado para subir de US$ 230,7 mil para US$ 243,5 mil ao ano. Na entrevista de ontem, Trump disse que estava considerando pedir a seu gabinete que não aceite o reajuste enquanto o governo estiver paralisado.

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