Trump ameaça bombardear Omã se país atrapalhar negociações com Irã sobre Ormuz
Declaração do presidente americano ocorre em um momento em que a República Islâmica e Mascate avançam nas negociações sobre a reabertura da rota marítima
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira, 17, atacar Omã caso o país interfira nas negociações com o Irã sobre o controle do Estreito de Ormuz.
“Se Omã atrapalhar, vamos bombardear aquele lugar até não sobrar nada”, disse Trump em entrevista à emissora Fox News.
A ameaça ocorre em um momento em que Teerã e Mascate avançam nas negociações sobre a reabertura de Ormuz. Nesta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que os dois países chegaram a “um entendimento sobre o mapa da rota de trânsito” pelo estreito, sem dar detalhes sobre o acordo.
De acordo com informações divulgadas anteriormente, o pacto permitiria que os navios entrassem por uma rota próxima ao Irã e saíssem por uma rota próxima a Omã.
Esta não é a primeira vez que Trump ameaça Omã, um dos aliados mais antigos dos Estados Unidos no Oriente Médio. Em maio, o presidente afirmou durante uma reunião de gabinete que “Omã vai se comportar como todo mundo, ou teremos que explodi-los”.
Na última sexta-feira, o ocupante do Salão Oval afirmou que “em breve” irá declarar o Estreito de Ormuz como parte dos Estados Unidos.
“Muito em breve declararei o Estreito de Ormuz território dos Estados Unidos. É verdade”, disse Trump durante um comício político em uma academia de polícia no estado de Nova York.
Na quarta-feira, Trump já havia usado as redes sociais para afirmar que os EUA têm “controle total” sobre a passagem marítima, vital para o fluxo de petróleo e gás.
“Os Estados Unidos têm controle total sobre o Estreito de Ormuz. ACHO QUE VAMOS FICAR COM ELE! Nosso bloqueio naval está sendo chamado, por todos, de ‘UMA PAREDE DE AÇO’, e não há nada que o Irã possa fazer a respeito”, escreveu Trump.
A passagem por onde transitava, antes da guerra, 20% do petróleo e gás consumidos no planeta está efetivamente bloqueada desde os bombardeios conjuntos de Estados Unidos e Israel que deram início ao conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, elevando os preços de combustíveis globalmente. Navios não autorizados por Teerã têm sofrido ataques intermitentes nessas águas.
Exigências iranianas
Também na semana passada, Mohsen Rezaei, recém-empossado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado enquanto os Estados Unidos não mudarem sua postura e aceitarem as condições do Irã para o fim da guerra, entre elas a liberação de ativos iranianos congelados no exterior, a cessação das hostilidades em toda a região (incluindo Gaza e Líbano) e o fim de quaisquer ameaças militares à república islâmica.
Rezaei também fez uma distinção entre as negociações em curso com Omã para definir novas rotas de navegação pelo estreito e a reabertura da via marítima. Mesmo que Teerã e Mascate cheguem a um arranjo sobre a circulação de embarcações, isso não significaria necessariamente o fim do bloqueio, segundo ele. “Esse acordo será uma questão separada do fechamento do estreito”, declarou.
O chanceler do Irã, Abbas Araqchi, já havia condicionado anteriormente o desbloqueio de Ormuz ao aceite de condições pelos Estados Unidos, embora não haja negociações diretas entre Washington e Teerã. Na ocasião, ele citou explicitamente o pagamento de indenizações por danos causados pelos bombardeios. Rascunhos de negociações e acordos anteriores mencionaram cifras de até US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão) para planos de reconstrução e desenvolvimento econômico da república islâmica.
Nova frente de batalha
Em paralelo aos ataques iranianos a embarcações no Estreito de Ormuz, aumentaram as ofensivas de seus aliados iemenitas, os rebeldes hutis, que têm visado navios em outro ponto estratégico para o transporte de petróleo, do outro lado da Península Arábica, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.
No mês passado, os hutis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho, em resposta ao que descreveram como um cerco saudita contra eles no Iêmen — uma alegação negada por Riad, que apoia o governo iemenita oficial e é aliada dos Estados Unidos.
Combates entre os rebeldes e o Exército formal no Iêmen se intensificaram na semana passada. Na última segunda-feira, 10, militares iemenitas informaram que sete pessoas — incluindo civis — morreram em um ataque huti à cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho. Sistemas de defesa aérea interceptaram e derrubaram 11 drones que participaram do ataque, segundo os soldados.
Já nesta segunda, os hutis anunciaram ter “conseguido atingir um navio de desembarque militar pertencente ao inimigo saudita, acompanhado por quatro lanchas militares, no mar Vermelho, ao largo da costa de Mocha, com vários mísseis balísticos”, segundo o porta-voz militar dos rebeldes xiitas, Yahya Saree.







