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Trump agradece reabertura de Ormuz, mas rejeita suspender seu bloqueio naval ao Irã

Teerã justificou a liberação da nevrálgica passagem devido a uma trégua no Líbano, mas duração da medida ainda é incerta

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2026, 11h02 | Atualizado em 17 abr 2026, 12h27
Trump agradece reabertura de Ormuz, mas rejeita suspender seu bloqueio naval ao Irã Priorizar nos meus resultados Google

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou a reabertura do Estreito de Ormuz, anunciada pelo Irã nesta sexta-feira, 17, agradecendo ao regime dos aiatolás em mensagem na sua rede social de preferência. No entanto, o líder americano rejeitou suspender o seu próprio bloqueio naval na região, imposto na última segunda-feira para impedir a circulação de embarcações iranianas que continuaram a atravessar ao longo da guerra aquela nevrálgica rota por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no planeta.

“O Irã acaba de anunciar que o Estreito do Irã está totalmente aberto e pronto para a navegação. Obrigado!”, escreveu o presidente na sua plataforma, a Truth Social.

Em uma postagem separada, ele confirmou que manteria ativo o cerco americano, que há quatro dias tem atuado para vetar o tráfego de embarcações do Irã, até a conclusão das negociações para encerrar a guerra de forma permanente. O cerco mobilizou 10 mil militares, quinze navios de guerra e dezenas de aviões e helicópteros para fiscalizar uma área que engloba o Golfo de Omã e o Mar Arábico (o Estreito de Ormuz conecta essas águas ao Golfo Pérsico, lar das monarquias árabes petrolíferas).

“O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada”, escreveu o presidente americano.

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O bloqueio de Trump se estende ainda a barcos de qualquer nacionalidade que façam escala em portos iranianos, bem como àqueles que paguem o chamado “pedágio de Teerã” para atravessar o estreito, estipulado em US$ 2 milhões. Até quinta-feira 16, treze deles já foram obrigados a recuar. Os considerados “neutros” podem seguir viagem, mas sob inspeção, para evitar o transporte do petróleo iraniano. Até a quinta-feira 16, treze embarcações tiveram que dar meia-volta e retornar a um porto ou a uma área costeira do Irã, informou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).

Com a medida, os Estados Unidos pretendem pressionar o setor de petróleo iraniano, pilar de sua economia e responsável por 10% a 15% do PIB, e encerrar os pagamentos do chamado “pedágio de Teerã”, que por cerca de US$ 2 milhões tem permitido navios seletos atravessarem a nevrálgica rota marítima.

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Abertura de Ormuz

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada. De acordo com ele, a decisão foi tomada após entrar em vigor uma trégua no Líbano, uma das múltiplas frentes do conflito no Oriente Médio, onde Israel combate o Hezbollah, milícia apoiada pelos iranianos.

“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada durante o restante do período de cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã”, escreveu o chanceler no X (ex-Twitter).

Não está claro até quando o estreito permanecerá aberto. Araghchi mencionou “período restante do cessar-fogo”, mas não especificou se era o do Líbano (que expira em dez dias) ou aquele entre Estados Unidos e Irã (válido, inicialmente, até a próxima terça-feira, 21).

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O ministro afirmou, no entanto, que os navios teriam que seguir uma “rota coordenada”, previamente acordada com o Irã. Analistas de navegação indicam que ele se refere a um passagem próxima à costa iraniana, que foi utilizada por um contingente pequeno de embarcações durante a guerra devido ao risco de ataques.

A passagem já deveria ter sido aberta mediante a trégua acordada entre Irã e Estados Unidos em 8 de abril, que os dois países estudam agora estender. No entanto, permaneceu trancada devido a um desacordo sobre os termos da pausa nos combates (em especial, a continuidade dos bombardeios israelenses contra o Líbano).

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Na quinta-feira 16, o gabinete de segurança de Israel anunciou ter concordado com a suspensão dos ataques ao Hezbollah por dez dias, após pressão do governo Trump, uma vez que o conflito ativo colocou a trégua com o Irã em risco.

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