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Trump adverte Honduras que detenha 2.000 emigrantes a caminho dos EUA

Mais de 2.000 hondurenhos, a pé, já cruzaram a fronteira com a Guatemala; OEA pede respeito aos direitos dos emigrantes

O presidente americano, Donald Trump, advertiu nesta terça (16) seu colega hondurenho, Juan Orlando Hernández, que detenha a caravana de milhares de emigrantes que deixou o país a pé com o objetivo de entrar nos Estados Unidos. A caravana já ingressou na Guatemala, onde o seu organizador, Bartolo Fuentes, foi preso e deportado por não cumprir as regras de imigração.

“Os Estados Unidos informaram com firmeza ao presidente de Honduras que se a grande caravana de pessoas que se dirige aos Estados Unidos não for freada e levada de volta a Honduras, não haverá mais dinheiro nem ajuda para Honduras, com efeito imediato”, tuitou Trump.

O acordo Aliança para a Prosperidade prevê a ajuda financeira dos Estados Unidos à América Central para programas que melhorem as condições de segurança nos países e criem oportunidades de desenvolvimento. A finalidade é frear a migração. Outros programas dão acesso ao mercado americano a produtos de países da região.

No sábado, um grupo de mais de 2.000 hondurenhos iniciou uma caminhada em San Pedro Sula, a 180 quilômetros ao norte de Tegucigalpa, até a fronteira com a Guatemala para chegar aos Estados Unidos. A rota de 2.000 quilômetros está cheia de obstáculos e perigos.

Na tarde de segunda-feira, milhares de emigrantes já estavam na cidade guatemalteca de Esquipulas, na fronteira com Honduras. Antes de os emigrantes entrarem na Guatemala, um grande contingente de policiais fechou a passagem. Mas, horas depois, eles conseguiram chegar a um abrigo em Esquipulas, segundo imagens e vídeos divulgados pela imprensa local.

Depois da advertência de Trump, porém, os policiais prenderam Fuentes, um ex-parlamentar hondurenho. O Ministério de Segurança de Honduras alegou que ele “não cumpriu com as regras de imigração da Guatemala” e seria deportado de volta para Honduras nas próximas horas.

A violência de gangues (as maras) na América Central empurra famílias inteiras e, em muitos casos, crianças sozinhas para a perigosa jornada rumo aos Estados Unidos. Em maio passado, uma caravana de mais de uma centena de emigrantes de vários países da região chegou à fronteira sul dos Estados Unidos. Parte os centro-americanos conseguiu ingressar.

Na mesma época, Washington adotou sua nova regra de tolerância zero com a imigração ilegal. Os imigrantes pegos pelas autoridades de fronteira passaram a ser presos e os menores de idade foram levados a abrigos improvisados ou a instituições espalhadas pelo país.

Na segunda-feira (15), as autoridades da Guatemala anunciaram a proibição da entrada dos emigrantes hondurenhos que não cumprirem os requisitos legais. Hoje, organizações sociais pediram ao governo guatemalteco que garanta os direitos dos emigrantes.

“É responsabilidade do governo da Guatemala a segurança e a integridade das pessoas que estão em seu território e por nenhum motivo atentar contra os seus direitos humanos”, detalhou um comunicado emitido por 18 organizações, entre elas a Mesa Nacional para as Migrações na Guatemala e a Pastoral de Mobilidade Humana.

Barreira mexicana

Comprometido com os Estados Unidos a barrar o fluxo de emigrantes em sua própria fronteira com a América Central, o governo do México também anunciou que freará a passagem dos hondurenhos que não cumprirem com a legislação sobre ingresso de estrangeiros.

Mais de 500.000 pessoas cruzam clandestinamente a fronteira sul do México a cada ano em sua tentativa de chegar aos Estados Unidos, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU). A maioria sai da América Central fugindo da violência e da pobreza de seus países.

Na semana passada, Juan Orlando Hernández se encontrou com os presidentes da Guatemala e de El Salvador da Segunda Conferência sobre Prosperidade e Segurança na América Central, em Washington. No fórum, o vice-presidente americano, Mike Pence, foi contundente ao pedir aos líderes centro-americanos que enviem uma mensagem aos seus cidadãos: “Se não puderem vir aos Estados Unidos legalmente, não venham”.

O secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ao contrário, pediu respeito aos direitos dos migrantes.

“Pedimos respeito aos direitos e à segurança dos integrantes da caravana de migrantes hondurenhos, assim como a investigação do possível envolvimento de traficantes de pessoas”, assinalou Almagro.

Mais de um milhão de hondurenhos moram nos Estados Unidos, a maioria em situação ilegal. No ano passado, eles injetaram 4 bilhões de dólares na economia de seu país, cifra equivalente a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) de Honduras.