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Tropas do CNT tomam porto de Sirte, formação de governo é adiada

Tropas do novo regime líbio tomaram nesta terça-feira o controle do porto da cidade de Sirte, um dos últimos bastiões kadhafistas, enquanto o ex-líder Muamar Kadhafi, cujo paradeiro é desconhecido, afirmou que está na Líbia e quer morrer como um “mártir”.

O Conselho Nacional de Transição anunciou que adiou a formação de um novo governo até a libertação total da Líbia.

Muamar Kadhafi fez essas declarações em uma mensagem divulgada por uma rádio de Bani Walid e transcrita nesta terça-feira pelo site de uma rede de televisão leal ao seu regime.

“Heróis resistiram e caíram como mártires e nós também esperamos o martírio”, disse Kadhafi.

“Pela jihad, vocês estão voltando a realizar as façanhas de seus antecessores. Saibam que estou em campo como vocês”, acrescentou.

“Estou entre meu povo e os próximos dias reservam a esta camarilha de agentes um choque inesperado”, insistiu Kadhafi.

Na frente de Bani Walid, vasto oásis com um relevo tortuoso, situado 170 km a sudeste de Trípoli, Abdullah Kenchil, autoridade local do CNT, declarou nesta terça-feira que a intensidade dos disparos kadhafistas obrigaram os combatentes a se retirar de algumas regiões.

No plano político, o Conselho Nacional de Transição líbio (CNT) decidiu adiar a formação de um governo interino até que todo o país seja libertado, anunciou nesta terça-feira um de seus responsáveis.

“As consultas levaram à decisão de adiar a formação do governo até depois da libertação”, declarou à AFP Mustafa al-Huni, membro do CNT, que há vários dias tenta superar as divergências internas para formar um governo.

O anúncio do governo de transição estava previsto inicialmente para o dia 18 de setembro, mas já havia sido adiado devido às discordâncias entre os membros do CNT e seu centro executivo.

A conclusão das negociações deveria ocorrer esta semana, segundo o presidente do CNT, Mustafa Abdul Jalil.

Políticos de Benghazi afirmaram na segunda-feira à AFP que a formação do governo estava sendo adiada devido a disputas internas.

No sábado, Abdul Jalil afirmou que sua prioridade era liberar todo o território e restabelecer a segurança, e que a luta pelos ministérios não deveria interferir nisso.

Em Sirte, “ocorreram confrontos durante a noite e, atualmente, controlamos o porto” desta cidade da costa do Mediterrâneo, declarou nesta terça-feira Mustafa ben Dardef, comandante da “Brigada de Zanten”, leal ao Conselho Nacional de Transição (CNT).

“Quando nos aproximarmos do centro da cidade, serão travados combates nas ruas homem a homem”, explicou um dos combatentes, Alai Saidi, enquanto seus companheiros se preparavam para os novos confrontos, limpando e lubrificando suas armas.

Estes novos combates eclodiram na segunda-feira à noite perto do porto de Sirte, 360 km a leste de Trípoli.

Na segunda-feira, as forças do novo regime encontraram um esconderijo de armas dos kadhafistas na frente oriental de Sirte depois do bombardeio efetuado pela Otan de alvos na cidade pelo terceiro dia consecutivo.

Em Sirte, centenas de civis assustados fugiram nestes últimos dias da cidade, à medida que as forças do novo regime se aproximavam da região por leste, sul e oeste. Segundo testemunhas, os moradores de Sirte não têm água e comida e os kadhafistas tentam impedir que as pessoas fujam.

A situação “é muito crítica” na cidade, explicou Miftá Mohammed, um vendedor de peixe que fugiu com cerca de sessenta familiares em um comboio de sete veículos. “Não há comida, nem água, nem gasolina, nem eletricidade. As crianças já não têm leite. Há dias que comemos apenas macarrão”, afirmou.

Para o primeiro-ministro interino líbio, Mahmud Jibril, enquanto Kadhafi permanecer livre continuará sendo uma ameaça.

“Os batalhões de Kadhafi continuam matando civis inocentes em diferentes regiões de nosso país”, acrescentou Jibril, número dois do CNT em Nova York, durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia.

“O simples fato de que esteja livre e que tenha a sua disposição tanta riqueza significa que ainda é capaz de desestabilizar a situação, não apenas em nosso país, mas em todo o Sahel e Saara”, estimou Jibril.