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Triunfo do Hezbollah é vitória contra Israel e EUA, diz Irã

Resultados extraoficiais mostram o grupo xiita ganhando mais da metade das cadeiras do parlamento; Hariri deve se manter como primeiro-ministro

O apoio popular ao movimento xiita Hezbollah nas eleições legislativas do Líbano é um êxito na luta contra Israel e Estados Unidos, declarou Ali Akbar Velayati, conselheiro diplomático do guia supremo do Irã, aitolá Ali Khamenei. Pesquisas preliminares mostram o grupo conquistando mais da metade das cadeiras. Porém, o resultado oficial ainda não foi divulgado.

“Esta vitória completa os êxitos militares. O povo libanês e seus representantes, ou seja, o Hezbollah e os outros grupos da resistência, triunfaram na luta contra Israel e seus aliados, em particular os Estados Unidos”, declarou Ali Akbar Velayati.

O porta-voz do aiatolá Khamenei considerou que o resultado eleitoral consagra a “vitória da ajuda determinante (do Irã) à Síria ante os terroristas”. “Esta vitória do povo libanês e da resistência é uma aprovação da política do governo libanês para preservar a independência do Líbano ante Israel”, disse Velayati.

“O peso da Frente da Resistência será consideravelmente reforçado no mundo após a vitória do Hezbollah”, completou. No vocabulário do governo iraniano, a Frente da Resistência designa Irã, Síria, Iraque, Hezbollah e os grupos palestinos próximos ao Irã.

Os resultados extraoficiais apontam para a conquista de 67 das 128 cadeiras pelo Hezbollah e seus aliados, entre os quais o movimento Amal. Mas, segundo o jornal Financial Times, o grupo xiita não alcançou os dois terços necessários para realizar reformas constitucionais. Entre elas, as divisões sectárias no Poder Legislativo, que destinam metade das cadeiras aos cristãos maronitas e a outra metade, para os muçulmanos.

O primeiro-ministro, Saad Hariri, deverá ser reconduzido pelo bloco sunita que, embora tenha perdido cadeiras na Assembleia Nacional, continua  responsável pela designação para o cargo.

A eleição de domingo, a primeira desde 2009, foi marcada por grandes abstenção e protestos. Manifestantes protestaram em frente ao Ministério do Interior do Líbano, no centro de Beirute, contra supostas fraudes nas eleições. A candidata Yumana Haddad, do partido independente Kuluna Watani (Todos pela Pátria), afirmou ter perdido sua vaga no parlamento porque algumas urnas teriam sido extraviadas.

O Ministério do Interior contestou as informações, afirmando que só se pronunciará quando os resultados oficiais forem divulgados pelas autoridades responsáveis. Por esse mesmo motivo, o órgão disse não poder falar sobre o caso de Yumana Haddad.

(Com AFP e EFE)