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Trinta anos atrás, Brasil temia influência soviética nas Malvinas

A guerra das Malvinas, há 30 anos, pôs o governo da ditadura militar brasileira (1964-1985) em alerta, por temer que a Argentina recorresse à União Soviética, segundo documentos secretos divulgados neste domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Documentos confidenciais guardados no Arquivo Nacional revelam que os militares brasileiros estavam preocupados pela ajuda que a União Soviética (URSS) poderia prestar aos argentinos para aumentar sua influência na região e como contraponto à aliança da Grã Bretanha com os Estados Unidos, informa o jornal.

“O controle do Atlântico Sul é de fundamental importância tanto para os países do bloco ocidental como para os soviéticos e seus aliados. Por essa razão, as duas superpotências não poderiam estar ausentes dos acontecimentos que envolvem Argentina e a Grã Bretanha”, diz um texto da inteligência do Exército com data de 7 de abril de 1982, cinco dias depois de começar a guerra.

O Estado de S. Paulo revela que os militares brasileiros informaram em um documento que a União Soviética tinha se comprometido a entregar à Argentina urânio enriquecido para seu programa nuclear, apesar de não informar o grau de enriquecimento. Detalha ainda que o apoio soviético seria realizado através de aliados como Líbia, Cuba e Angola.

No dia 2 de abril de 1982, a ditadura militar argentina invadiu as ilhas ocupadas pela Grã Bretanha desde 1833. As tropas argentinas se renderam depois 74 dias de conflito.