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Tribunal decreta prisão domiciliar para opositor de Putin

Corte também pretende impedir que Alexei Navalny, o mais conhecido oposicionista da Rússia, de usar a internet e falar com a imprensa

Por Da Redação 28 fev 2014, 10h21

Depois da aprovação de uma lei de anistia, no que foi visto como uma tentativa de melhorar a imagem do país no exterior às vésperas da realização da Olimpíada de Inverno, a Rússia retomou a força habitual na repressão a opositores. Nesta sexta, um tribunal decretou prisão domiciliar do mais conhecido oposicionista do país, Alexei Navalny, e o impediu de usar a internet e falar com a imprensa.

A decisão judicial alega que o crítico de Vladimir Putin e principal força propulsora dos protestos de 2011-2012, inéditos na era putinista, violou a proibição de sair de Moscou. Navalny ressaltou que a decisão tem o objetivo de silenciá-lo. “Eu acredito que as novas medidas estão baseadas em motivos forjados para restringir minhas atividades políticas”, disse o advogado de 37 anos na corte.

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Navalny é da geração Facebook de militância política globalizada que abomina a corrupção – já denunciou na internet vários casos envolvendo autoridades do alto escalão do país. Ele foi preso em julho do ano passado e levado para cumprir pena de cinco anos de cadeia por apropriação indébita de um carregamento de madeira, acusação que remonta a uma época em que ele dava assessoria voluntária a um governo regional. No dia seguinte foi solto para aguardar recurso em liberdade. Acabou tendo a sentença suspensa, mas a condenação foi mantida.

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A manipulação política da Justiça russa deixa poucas ilusões sobre a causa verdadeira da prisão. A sentença de cinco anos o deixará fora da disputa presidencial de 2018. Ele também é acusado de lavagem de dinheiro em um processo separado, que ainda não foi julgado.

Atualmente, Navalny cumpre uma semana de detenção administrativa, por ter desobedecido a polícia quando se dirigiu, na segunda-feira, à porta de um tribunal de Moscou para apoiar oito ativistas que participaram das manifestações contra Putin em 2012. E que foram condenados a até quatro anos de prisão.

Pussy Riot – Antes dos Jogos Olímpicos de Sochi, realizados de 7 a 23 de fevereiro, Vladimir Putin “perdoou” o ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovski, seu principal rival político, que estava desde 2003 em uma penitenciária na Sibéria. Ele havia sido condenado em um tribunal de cartas marcadas, em 2005, e deveria ser solto de qualquer forma este ano.

Depois do empresário, foi a vez de duas integrantes da banda punk Pussy Riot, presas em março de 2012 por protestar contra o presidente numa igreja, também serem colocadas em liberdade. Fora da cadeia, Nadezhda Tolokonnikova, de 24 anos, e Maria Alyokhina, de 25 anos, viajaram aos Estados Unidos, onde concederam várias entrevistas reforçando as críticas à perseguição sofrida na Rússia. Também protestaram em Sochi, onde chegaram a ser presas e levaram chicotadas de membros da milícia cossaca.

(Com agências Reuters e France-Presse)

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