Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Tribunais londrinos abertos 24 horas para julgar dezenas de detidos

Dezenas de pessoas comparecem dia e noite ao tribunal londrino de Westminster, onde são julgadas por roubo ou atos violentos nos distúrbios que sacodem a Grã-Bretanha há quatro dias.

A situação é “caótica” no tribunal, onde advogados correm pelos corredores dos prédios procurando seus clientes, detidos nas celas subterrâneas, e tomam conhecimento das acusações feitas contra eles.

Natasha Reid, estudante de 24 anos, se apresenta ao juiz: ela reconhece ter roubado, no domingo, uma televisão avaliada em 270 libras (310 euros ou 440 dólares) de uma loja de eletrodomésticos do bairro de Enfield, norte de Londres.

Levando as mãos à cabeça, ouve seu advogado explicar ao tribunal que ela mesma se entregou à polícia.

“Simplesmente, não conseguia dormir à noite após ter cometido esse roubo”, diz o advogado.

A decisão do juiz é compassiva: Reid é posta em liberdade sem fiança até seu julgamento, marcado para 1º de setembro.

Desde o início dos distúrbios, no sábado, que sacudiram várias cidades do país até a quarta-feira, 1.200 pessoas haviam sido detidas.

Para fazer frente ao volume de detidos, os tribunais de Londres, Birmingham (centro) e Manchester (noroeste) decidiram trabalhar as 24 horas do dia e revisar os casos um a um.

O primeiro-ministro britânico David Cameron manifestou o desejo de que as pessoas envolvidas nos distúrbios e saques recebam penas de prisão.

Na noite de quarta-feira, foram presos dois agitadores em Manchester, os primeiros a receber este “castigo”.

A grande maioria das pessoas que passou pelo tribunal de Westminster é acusada de roubo, como um agente imobiliário, um jornalista free-lancer e uma bailarina de 17 anos que roeu as unhas, nervosamente, durante toda a audiência.

Outras são julgadas por delitos mais graves, como um grupo de jovens – que se apresentam um a um -, acusados de ter cometido atos violentos no bairro londrino de St. John’s Wood na terça-feira.

Segundo o juiz, 50 agitadores, encapuzados ou mascarados, saquearam cafés enquanto havia clientes e tentaram atear fogo aos estabelecimentos com guardanapos encharcados de combustível.

A promotora Lisa Brown defende a decisão de julgar os detidos à noite.

“É algo muito raro, mas necessário. Poderíamos tratar destes casos durante o dia, mas seria em detrimento de outros temas”, explicou à AFP Brown, que passou toda a noite nas salas do tribunal de Highbury, no norte de Londres.