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Três mortos nos confrontos diante da embaixada de Israel no Cairo

Três pessoas morreram na madrugada deste sábado nos confrontos entre manifestantes e forças da ordem em frente da embaixada de Israel no Cairo; uma quarta pessoa foi vítima de um ataque cardíaco, informaram fontes hospitalares.

Ainda não foi divulgada a identidade dos mortos.

Um dirigente de Israel, que preferiu não ter o nome divulgado, afirmou que comandos egípcios salvaram a vida de seis israelenses, bloqueados no interior do prédio, no momento da invasão por manifestantes que jogaram pelas janelas milhares de páginas de documentos “confidenciais” de um dos escritórios da sede diplomática.

“Seis pessoas estavam dentro da embaixada e existia preocupação real por suas vidas; mas, finalmente, foram socorridas com êxito”, disse a fonte.

Centenas de soldados egípcios, apoiados por veículos blindados, se concentraram na madrugada deste sábado nas imediações da embaixada de Israel, onde o fornecimento de energia elétrica chegou a ser suspenso.

A ocupação da sede diplomática, realizada por manifestantes que participavam, antes, de um grande protesto na Praça Tharir, deixou pelo menos 235 feridos.

Segundo um funcionário do aeroporto do Cairo, o embaixador de Israel no Egito, Yitzhak Levanon, e sua família pegaram um avião para retornar a seu país.

Um porta-voz do governo israelense confirmou a viagem de Levanon e afirmou que ele voltará a ocupar seu posto quando forem “garantidas as condições de segurança da representação diplomática”.

“Este assunto é tão grave que apenas virar a página é insuficiente”, declarou o porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Ron Sofer.

A invasão da sede diplomática começou na tarde de sexta-feira, quando manifestantes armados com martelos, barras de ferro e cordas destruíram o muro erguido nos últimos dias pelas autoridades egípcias em frente ao prédio, alvo de protestos nos últimos dias.

A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, mas não conseguiu impedir a invasão do prédio.

O Egito, por sua vez, expressou oficialmente neste sábado seu “compromisso total” de proteger as representações diplomáticas em seu território, o dia seguinte a um violento ataque contra a embaixada israelense no Cairo.

“O Egito expressa seu compromisso total de respeitar as convenções internacionais, incluindo a proteção das representações diplomáticas”, afirmou o ministro da Informação, Usama Heikal, em uma mensagem difundida pela televisão.

Heikal anunciou também que as autoridades egípcias aplicarão “todas as disposições da lei sobre o estado de emergência”, vigente há 30 anos e que prevê medidas policiais e judiciais de exceção para garantir a segurança.

O ministro fez essas declarações depois de uma reunião entre os chefes militares, que dirigem o país depois da queda do presidente Hosni Mubarak em fevereiro passado, e o grupo de crise do governo do primeiro-ministro Esam Sharaf.

As relações entre Israel e Egito passam por uma fase delicada, desde a morte de cinco policiais egípcios no dia 18 de agosto, em um ataque das forças israelenses na região de Eliat, na fronteira entre os dois países.

O Egito foi o primeiro país árabe a fazer um acordo de paz com o Estado hebreu em 1979.

Segundo a Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, manifestando “grande preocupação” com os fatos, relatando um pedido feito ao Egito para que “honre suas obrigações internacionais visando a salvaguardar a segurança da embaixada israelense”.