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Tragédia em Fukushima não impediu expansão da energia nuclear

Redação Central, 6 mar (EFE).- O alarme gerado pelo acidente no complexo nuclear de Fukushima no ano passado levou alguns países a aumentar as medidas de segurança no setor, mas não diminuiu a expansão desse tipo de energia.

A catástrofe provocou uma reviravolta na política nuclear e energética da Alemanha. O governo da chanceler Angela Merkel, que inicialmente defendia que os 17 reatores atômicos do país funcionassem até meados de 2030, agora determinou que eles parem de operar até 2022.

Fukushima reavivou a amarga lembrança de Chernobyl, na Ucrânia, que sofreu um acidente há 25 anos, e por isso a União Europeia (UE) iniciou testes de resistência para avaliar a segurança dos 143 reatores do continente.

Os especialistas do Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear da França consideram que um acidente como o do Japão, que aconteceu após um tsunami causado por um terremoto, afetaria na Europa mais a população, pois em Fukushima a maior parte da contaminação se dirigiu para o oceano.

Mas exceto uma maior preocupação sobre a segurança, Fukushima não gerou grandes mudanças nas políticas nucleares de uma Europa economicamente em crise, que não está disposta a aumentar sua dependência da importação de petróleo.

Segundo as últimas projeções feitas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a capacidade nuclear mundial passará dos atuais 375 gigawatts para 501 gigawatts em 2030, estimativa 8% menor do que a realizada antes do desastre de Fukushima.

Atualmente há 63 reatores em construção em 15 países, e estão sendo planejados outros 156, sobretudo em nações em desenvolvimento.

Os Estados Unidos deram fim em fevereiro a uma proibição ao desenvolvimento de usinas que durou mais de 30 anos – foi adotada após o acidente de Three Mile Island, em 1979 -, ao aprovar a construção de dois novos reatores na Geórgia. O objetivo é reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

A Rússia constrói atualmente nove reatores nucleares e planeja duplicar a produção de energia atômica nos próximos anos até alcançar 30% do consumo total do país.

Também não acabaram os planos de expansão nuclear na China, o país que tem mais reatores em construção (20, que se somaram aos 13 já existentes), e que pretende chegar em 2030 a 100 usinas, número similar ao dos EUA.

No entanto, o acidente de Fukushima provocou a suspensão temporária da aprovação de novos projetos e a colocação em prática de maiores medidas de segurança e cooperação entre países vizinhos, assim como avanços na pesquisa de reatores de ‘quarta geração’, aparentemente mais seguros e que geram menos resíduos tóxicos.

Em números, a China, que tinha uma capacidade de geração de energia nuclear de 10,9 gigawatts em 2010, deverá chegar a 70 gigawatts por volta de 2020. Antes do acidente, a previsão era alcançar 120 gigawatts neste ano.

Na América Latina, só a Venezuela, um país rico em petróleo, anunciou o congelamento de seu programa nuclear. No final de setembro de 2011, a Argentina iniciou as operações da usina nuclear de Atucha II, nos arredores de Buenos Aires, a terceira construída no país e vizinha de Atucha I, a primeira construída na América Latina.

No Brasil, o governo afirmou que a política nuclear não seria modificada pois não existem riscos de terremotos ou tsunamis no país, e porque as duas usinas existentes (Angra I e II) foram planejadas para resistir a terremotos de até 6,5 graus na escala Richter e a ondas de até sete metros de altura.

O acidente de Fukushima também não modificou o projeto do governo indiano de construir uma usina nuclear com seis reatores em Jaitapur, uma zona de grande atividade sísmica do país. EFE