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Toronto esvazia poderes de prefeito que fumou crack

Vereadores delegam prerrogativas ao vice e limitam orçamento e equipe de Rob Ford, que vira figura decorativa na prefeitura da maior cidade canadense

Por Da Redação - 19 nov 2013, 00h16

Em uma decisão histórica, o Conselho da Cidade de Toronto, equivalente à Câmara Municipal, decidiu nesta segunda-feira retirar a maioria dos poderes de seu prefeito, Rob Ford, que foi filmado fumando crack. Com 36 votos a favor e cinco contra, foi aprovada uma medida que limita o orçamento do gabinete do prefeiro e reduz sua equipe a menos da metade, e ainda delega a maioria de seus poderes ao vice, Norm Kelly.

Embora Ford continue sendo nominalmente o prefeito da cidade, a votação esvazia suas funções e o transforma em uma espécie de figura decorativa na prefeitura da maior cidade canadense – o prefeito viu sua legitimidade implodir ao ser flagrado se drogando e ter que admitir, depois de negar por diversas vezes, que comprou drogas ilícitas nos últimos dois anos, já à frente do Executivo municipal.

A votação desta segunda completa um ofensiva iniciada pelos legisladores semana passada. Impedidos legalmente de destituir Ford, eles iniciaram um longo procedimento para eliminar diversos poderes do prefeito por meio da aprovação de várias moções. Os vereadores já haviam aprovaado, por exemplo, uma regra que transfere para o vice, Norm Kelly, o poder de designar presidentes de comissões municipais. Outra moção transferiu a Kelly a autoridade para administrar a quarta maior cidade da América do Norte em caso de emergência.

Golpe – Antes da votação, Rob Ford ameaçou os vereadores dizendo que a aprovação das medidas significava “guerra” e um “golpe de estado”. Ao fim da sessão, o irmão do prefeito, Doug Ford, que é vereador, disse que Ford estava “muito triste” e repetiu as ameaças do irmão contra os legisladores que votaram em favor da moção. “Isto é um golpe de estado que aconteceu pela primeira vez no Canadá. A primeira vez na história do país que os direitos democráticos foram totalmente pisoteados”, disse.

O inferno astral do prefeito vem ocorrendo desde maio, quando dois veículos de comunicação divulgaram a existência de um vídeo no qual ele fuma crack na companhia de traficantes. Por meses, Ford negou que tal registro existisse, mas no dia 5 de novembro, após a polícia divulgar que havia apreendido uma cópia, o prefeiro finalmente admitiu ter consumido a droga. Ele negou ter mentido sobre o assunto e disse não se lembrar exatamente do episódio, afirmando que ele ocorreu durante uma “bebedeira”.

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Ao mesmo tempo, o jornal The Toronto Star publicou uma foto de Ford abraçando três indivíduos, todos eles conhecidos por seus vínculos com o crime organizado e um deles falecido em um tiroteio na cidade. Na semana passada, Ford admitiu também que comprou narcóticos desde que se tornou prefeito de Toronto em 2010 e que dirigiu bêbado, mas acrescentou que todo o mundo comete “erros”.

Mesmo em meio às críticas, o prefeito se negou a renunciar ou a deixar temporariamente o posto para receber tratamento. Ele e sua família negaram que seja um viciado ou tenha problemas com álcool.

Confronto – Durante a acalorada e caótica sessão da Câmara Municipal nesta segunda, Rob Ford voltou a mostrar um comportamento contestável. Detido na Flórida dois anos atrás por dirigir bêbado, ironizou um dos vereadores gesticulando com os braços como se estivesse conduzindo um automóvel embriagado.

O prefeito, que pesa mais de 160 quilos e diz que seu único problema é sua obesidade, ainda “atropelou” um vereador quando tentava ajudar seu irmão, que enfrentava as ofensas do público que protestava no local. O enfrentamento se iniciou quando Doug Ford chamou os manifestantes de “porcos”, enquanto o prefeito ordenava que seu motorista filmasse todos para comprovar se eram funcionários municipais.

Filho de um poderoso político conservador de Toronto, Rob Ford se elegeu com o apoio do primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper. Semana passada, uma pesquisa da Ipsos-Reid encomendada por várias emissoras de rádio e TV da cidade mostrou que 76% dos eleitores de Toronto acreditam que Ford deve renunciar ou pelo menos tirar uma licença.

(Com agência EFE)

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