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Tom ameaçador da Turquia contra a Síria antes de reunião da Otan

A Turquia acusou nesta segunda-feira a Síria de ter cometido um ato “hostil de mais alto nível” após a destruição de um de seus aviões de combate, suscitando temores de uma escalada da crise entre os dois vizinhos, na véspera de uma reunião da Otan.

Enquanto isso, o registro da violência na Síria aumenta sem parar à medida que se intensificam os bombardeios do Exército contra os redutos rebeldes, principalmente em Homs (centro), com a morte de pelo menos 53 pessoas, em sua maioria civis, segundo uma ONG síria.

A guerra de palavras é travada entre a Turquia e a Síria, cujas forças de defesa aérea abateram na sexta-feira um avião de combate turco. Damasco afirmou que o avião tinha violado o seu espaço aéreo, enquanto Ancara indicou que a aeronave estava no espaço aéreo internacional.

“Disparar contra um avião dessa forma, sem advertência prévia, é um ato hostil de mais alto nível”, afirmou o vice-primeiro-ministro turco e porta-voz do governo, Bülent Arinç, ao final de um conselho de ministros.

Arinç também afirmou que um avião de resgate marítimo turco tinha sido atingido por disparos sírios no momento em que efetuava buscas pelos pilotos do F-4 Phantom. “Nosso Estado-Maior entrou em contato com as autoridades sírias e esse ataque foi imediatamente interrompido”.

Ele ameaçou interromper as exportações de energia elétrica da Turquia para a Síria em represálias, mesmo que isso possa afetar a população civil, já afetada por mais de 15 meses de violência desencadeada pela repressão do governo à revolta popular lançada no dia 15 de março de 2011.

Damasco havia acusado anteriormente Ancara de querer “atiçar” a crise e alertou para qualquer agressão contra o território sírio. “O avião militar turco violou o espaço sírio”, segundo a Chancelaria, que afirmou ignorar a natureza do alvo abatido.

Vários países ocidentais se mobilizaram nesta crise, com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, prometendo trabalhar com Ancara por uma reação apropriada frente a este ato “vergonhoso”.

A Otan realizará na terça-feira em Bruxelas uma reunião a pedido da Turquia, que recorreu “ao artigo 4 do tratado” da Aliança prevendo que todo país membro pode levar uma questão ao Conselho quando considerar que sua integridade territorial ou sua segurança estiver ameaçada.

Segundo especialistas russos citados pela agência estatal Ria Novosti, o F-4 Phantom abatido testou a defesa anti-aérea síria por conta a Otan e sua destruição mostrou a eficácia dos sistemas russos com os quais a Síria está equipada.

Para aumentar a tensão, um novo general desertou na Turquia, elevando para 13 o número de generais sírios desertores neste país, que já foi um aliado do regime do presidente Bashar al-Assad, mas com o qual rompeu para protestar contra a sua repressão à onda de contestação.

O general não-identificado entrou na Turquia na companhia de dois coronéis e de cinco outros oficiais, assim como de 24 membros de suas famílias, formando um grupo de quase 200 pessoas, segundo uma fonte diplomática turca.

A Turquia abriga no sul de seu território mais de 33.000 refugiados sírios, além da direção do Exército Sírio Livre e das reuniões do Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão opositora síria.

Os últimos dias foram particularmente violentos na Síria, com registros que se aproximam ou superam cem mortes por dia, incluindo 91 mortos no domingo, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

A situação parece ser particularmente difícil em Homs, onde moradores lançaram um apelo ao CNS: “Somos alvos de bombardeios contínuos e sem piedade, com lança-foguetes, helicópteros militares, obuses de morteiro, tanques e armas pesadas”.

“Um crime dos mais odiosos ocorre sob os seus olhos e vocês não ajudam as vítimas. O que acontece na Síria, não é um conflito político, mas um genocídio, uma limpeza étnica”, acrescentaram os moradores, acusando o governo alauíta de visar os bairros sunitas.

Na região de Homs, em Qousseir, um correspondente da AFP indicou que o Exército lançou um violento ataque a esta cidade com a ajuda de helicópteros.

Frente à escalada, a UE adotou novas sanções contra o governo Assad, tendo como alvo novas empresas e administrações e ampliando o embargo sobre as vendas de armas.

Elas se somam a quinze de rodadas de sanções em um ano. Mas essas medidas não fizeram o governo retroceder. Pelo contrário, Assad continua a se aproveitar das divisões internacionais para intensificar a repressão, que deixou mais de 15.000 mortos em mais de 15 meses, segundo o OSDH.

O presidente russo, Vladimir Putin, cujo país é um aliado do governo Assad, iniciou em Israel uma visita ao Oriente Médio para defender a posição de Moscou, principalmente, em relação à questão síria. Ele ressaltou que “as mudanças democráticas deve se desenvolver de forma civilizada”.

Desde o início da contestação popular na Síria, que se militarizou frente à repressão, Moscou bloqueia qualquer resolução da ONU condenando o governo e recusa qualquer transição à força.