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Tire suas dúvidas sobre o Prêmio Nobel

1. Quando o prêmio foi criado?

O prêmio foi instituído no testamento do sueco Alfred Nobel, químico inventor da dinamite. O cientista morreu em 1896, deixando a maior parte de sua fortuna à premiação de grandes feitos em diversas áreas do conhecimento. A escolha dos merecedores de um naco dessa herança foi atribuída a entidades como o Instituto Karolinska, a Academia Sueca, a Real Academia Sueca de Ciências e o Comitê Norueguês do Nobel. A primeira edição da homenagem foi entregue em 1901.

2. O que é a Fundação Nobel?

A Fundação Nobel, criada em 1900, é a instituição que administra e fiscaliza a entrega dos prêmios. Entre suas atribuições está, por exemplo, elaborar a lista de indicados e encaminhá-la às entidades que atribuem o prêmio.

3. Qual o objetivo da premiação?

A premiação homenageia grandes realizações nas áreas de Física, Química, Medicina/Fisiologia e Literatura. Também reconhece iniciativas que promovem a paz. Existe ainda o chamado Nobel de Economia. Idealizado pelo Banco Nacional Sueco, ele foi instituído apenas em 1969. Na época, o banco fez uma grande doação à Fundação Nobel, que, em troca, passou a eleger, por meio da Academia Real Sueca de Ciências, os homens dignos do prêmio.

4. Como são escolhidos os indicados?

Todo ano, cada uma das entidades que concedem o prêmio pede a milhares de pessoas – entre eles acadêmicos, professores universitários, cientistas e políticos – de vários países sugestões de nomes. Desse mar de sugestões, sai a lista de indicados, que deve ter representantes de diversas organizações e países.

5. Como são escolhidos os vencedores?

Parte da aura do Nobel se deve ao mistério que cerca seu processo de escolha. Da lista de indicados à decisão final, os procedimentos são um verdadeiro segredo. Sabe-se apenas que quem os realiza são acadêmicos escandinavos: os membros da Academia Real Sueca de Ciências condecoram as realizações nas áreas de Física, Química e Economia; os do Instituto Karolinska, pesquisas no ramo da Medicina e da Fisiologia; e os da Academia Sueca, grandes obras da Literatura. Já o Nobel da Paz fica a cargo dos cinco membros do Comitê Norueguês do Nobel, todos escolhidos pelo Parlamento da Noruega. Alguns critérios também se fizeram evidentes depois de sucessivas edições do prêmio: ele pode ser ganho por até três pessoas ao mesmo tempo e, se não for concedido num determinado ano, permite a concessão de dois prêmios numa mesma categoria no ano seguinte.

6. O que eles ganham?

O valor da premiação do Nobel foi fixado ano passado em oito milhões de coroas suecas (1,260 milhão de dólares). O vencedor é agraciado também com uma medalha de ouro e um diploma. O prêmio é entregue anualmente. O valor em dinheiro, porém, não foi assim substancioso desde o início da premiação. Na edição inaugural, em 1901, a quantia corresponderia a cerca da metade do que é hoje. Para o idealizador do prêmio, dar aos vencedores, além de reconhecimento, dinheiro, seria uma forma de ajudá-los a dar continuidade a suas atividades com independência.

7. Cogita-se aumentar o número de áreas contempladas?

Não. Mas como o prêmio, para se manter atual e importante, precisa destacar o avanço do conhecimento, percebe-se que suas escolhas são sempre muito sintonizadas com as tendências.

8. Quem foram vencedores ilustres?

Se escritores como Vladimir Nabokov, Marcel Proust e James Joyce passaram despercebidos, o Nobel, por outro lado, não deixou de condecorar autores como Thomas Mann, William Faulkner, Ernest Hemingway e Gabriel-García Márquez. Premiou também físicos como Niels Bohr, por sua pesquisa sobre a estrutura e a radiação do átomo, e Albert Einstein, não por sua contribuição mais famosa e importante – a Teoria da Relatividade – e sim por seus estudos sobre o efeito fotoelétrico. Linus Pauling é outro nome de destaque entre os vencedores do Nobel. Levou o prêmio de química em 1954, pelo estudo da natureza das ligações químicas, e o da Paz em 1962, por sua oposição à bomba de hidrogênio.

9. Algum brasileiro já foi premiado?

Não. Mas, na literatura, três nomes foram muito cotados para levar o prêmio: o do baiano Jorge Amado, o do mineiro Carlos Drummond de Andrade e do pernambucano João Cabral de Melo Neto. Herbert de Souza, o Betinho, Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, e o indigenista Orlando Villas-Boas também tiveram grandes chances de levar o Nobel da Paz. Na Física, quem chegou mais perto foi Cesar Lattes. Na Medicina, Carlos Chagas. Os maiores vencedores do prêmio são os americanos. Dos quase 500 prêmios concedidos nas categorias científicas (Química, Física e Medicina/Fisiologia), eles abocanharam mais de 200.

10. Alguém já se recusou a receber o Nobel?

Sim. Um dos casos mais famosos de recusa do prêmio é o do filósofo, escritor e intelectual francês Jean-Paul Sartre. O autor de A Náusea e Crítica da Razão Dialética rejeitou o Nobel de Literatura de 1964. Em carta endereçada à fundação, disse não aceitar ser submetido a julgamentos.

11. Qual a importância do Nobel?

O Nobel é, sem dúvida, uma das maiores premiações concedidas a cientistas e escritores. O que não impede, porém, que algumas de suas escolhas sejam criticadas. O que se diz, pelo menos no caso da literatura, é que os critérios tendem a ser mais políticos do que propriamente literários. Foi o que aconteceu em 2007, quando o crítico americano Harold Bloom definiu a escolha da escritora britânica Doris Lessing como “pura correção política”. Outros escorregões, como premiar ideias que mais tarde foram absolutamente desacreditadas, também abalaram sua reputação. É o caso do português Antonio Egas Moniz. Ele foi premiado por ter inventado a lobotomia, a intervenção cirúrgica no cérebro que mutilou milhares de pessoas. De qualquer forma, a premiação segue muito prestigiada, muitas vezes ditando os rumos da ciência.

12. Como é a cerimônia de entrega?

Os vencedores do Nobel costumam ser anunciados no mês de outubro. Cada categoria num dia diferente. Já a entrega ocorre no dia 10 de dezembro, data de aniversário de seu criador. O da Paz é concedido em Oslo, pelo rei da Noruega, e os demais em Estocolmo, pelo rei da Suécia.