Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Theresa May vence primeira rodada de votação para novo premiê britânico

A ministra do Interior deve sua preferência a Boris Johnson, o líder da campanha Brexit, que decidiu não disputar o cargo

A ministra britânica do Interior, Theresa May, foi a mais votada dos cinco candidatos para suceder David Cameron, na primeira rodada do processo de escolha do próximo primeiro-ministro britânico, realizada nesta terça-feira. Com menos votos, o ex-ministro da Defesa Liam Fox foi eliminado do processo.

May, que apoiou timidamente a campanha pela permanência na União Europeia, conseguiu o apoio de 165 dos 330 deputados do Partido Conservador, que elegem seu líder e automaticamente o primeiro-ministro.

A ministra do Interior se apresenta como a pessoa capaz de unir um partido fraturado e sem guia depois da renúncia de Cameron no dia seguinte ao referendo. Ela deve sua preferência a Boris Johnson, o líder da campanha Brexit, que decidiu não disputar o cargo.

Atrás de May apareceu a ministra da Energia, Andrea Leadsom (66 votos), partidária do Brexit, seguida por Michael Gove, o ministro da Justiça (48), outro partidário da ruptura com Bruxelas, e o ministro do Trabalho e Aposentadoria, Stephen Crabb (34). O eliminado Liam Fox obteve apenas 16 votos.

Leia mais:

Conservadores iniciam processo de escolha do novo primeiro-ministro britânico

Como uma traição fez Boris Johnson desistir de ser premiê britânico

Político pró-Brexit Nigel Farage renuncia liderança do Ukip

Desistência – Pouco depois da votação, Stephen Crabb retirou sua candidatura. Sua saída deixa apenas três candidatos na corrida para liderar a legenda e o governo britânico. Ao anunciar sua desistência, Crabb expressou seu apoio a May como candidata, o que poderia contribuir para que parte dos 34 deputados que votaram nele apoiem agora a titular de Interior.

O novo líder deverá ser conhecido no mais tardar em 9 de setembro. Toda terça e quinta-feira haverá uma rodada, que concluirá com a eliminação do candidato menos votado. Quando restarem apenas dois, os 150.000 militantes do partido farão a escolha final.

Entre os candidatos há uma divisão sobre como enfrentar o divórcio com a UE. Gove e May esperam que em 2017 possam ativar o Artigo 50 do Tratado Europeu de Lisboa, que notifica oficialmente a ruptura e abre um período de negociações de dois anos. Leadsom, por sua parte, quer fazer isso o quanto antes.

Dois dos cinco candidatos em disputa defenderam o Brexit, Michael Gove e Andrea Leadsom, que receberam o apoio de Boris Johnson e são vistos com simpatia pelo partido de extrema-direita antieuropeu Ukip, liderado até segunda por outro grande protagonista do Brexit, Nigel Farage, que também se demitiu.

Leia também:

Brexit: Quem ganha e quem perde com a saída do Reino Unido da UE

A debandada dos líderes do Brexit levou o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, a alfinetá-los. “Constato apenas que os radiantes heróis do Brexit de ontem são os tristes heróis de hoje”, afirmou Juncker no Parlamento Europeu. “Aqueles que provocaram este resultado no Reino Unido abandonaram o cenário um atrás do outro: Johnson, Farage etc…”.

(Com AFP)