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Testemunhas teriam sido drogadas em visita da Liga Árabe

O objetivo seria impedir o depoimento sobre a situação do país

Um grupo de médicos teria recebido a ordem de drogar seus pacientes para impedi-los de dar seu depoimento durante a visita dos observadores da Liga Árabe a hospitais da Síria, informaram nesta sexta-feira membros da comissão de investigação do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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O assunto, contudo, trata-se de ‘informação preliminar’ que deve ser examinada mais detalhadamente, segundo Yakin Erturk, um dos membros da comissão. Em entrevista à imprensa, ele informou que “novos depoimentos indicam que alguns médicos receberam a instrução de fazer com que seus pacientes ficassem inconscientes durante a visita (de observadores) da Liga Árabe”.

Erturk disse ainda que “certos médicos foram, eles mesmos, alvos de maus-tratos e de tortura porque se recusavam a obedecer, e alguns deles obedeceram”.

Essas acusações estão nos cerca de 70 novos depoimentos recolhidos pela comissão entre os refugiados, já que Damasco não permite a entrada do Conselho de Direitos Humanos em território sírio.

Os observadores da Liga Árabe visitaram a Síria em janeiro, acompanhados por representantes do regime de Bashar Assad.

Desdobramentos – Nesta sexta-feira, o emissário especial da ONU para a Síria, Kofi Annan, viaja para Moscou e Pequim para falar da crise do país com autoridades russas e chinesas. Annan voltou da Síria na quinta-feira, após ‘três dias de reuniões intensas’ com as autoridades locais

Também nesta sexta, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) aprovaram sanções contra 12 pessoas vinculadas ao regime de Assad, entre elas a mulher do ditador, Asma, e outros três familiares. Assad já integrava uma primeira lista de sanções aprovada pela UE.

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