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Testemunhas dizem que pagaram Urdangarín por ser genro do rei da Espanha

Por Da Redação - 3 jan 2012, 14h23

Madri, 3 jan (EFE).- Várias testemunhas que depuseram na investigação judicial sobre Iñaki Urdangarin por suposta fraude garantiram que suas empresas assinaram contratos com ele por ser genro do rei Juan Carlos I da Espanha.

Estas informações estavam no processo, que até pouco tempo estava em sigilo de justiça, aberto depois que Urdangarin foi acusado na semana passada, junto com seu sócio Diego Torres, por ter retirado 5,8 milhões de euros de fundos públicos entre 2004 e 2007.

Porém, Urdangarin, casado com a filha caçula do rei da Espanha, e Torres, através de seu Instituto Nóos, uma entidade sem fins lucrativos, também assinaram contratos com sociedades privadas, entre elas vários clubes de futebol.

O ex-presidente do clube de futebol Valencia, Juan Bautista Soler, disse à Polícia em 24 de novembro que ‘se sentiu obrigado’ a dar dinheiro ao Nóos ‘pois era Iñaki Urdangarin que pedia’, mesmo pensando que ‘havia algo errado’ e de não saber ao certo como o valor seria empregado.

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De acordo com o testemunho de Soler, ao qual a Agência Efe teve acesso, após vários encontros com Urdangarin, o Valencia pagou 30 mil euros ao Instituto Nóos para diversos projetos, mesmo com o clube de futebol estando com poucos recursos.

‘O declarante não era partidário de doações. No entanto, se sentiu obrigado a dá-lo, porque foi Urdangarin que pediu’, explica a declaração de Soler.

O presidente do clube de futebol Villareal, Fernando Roig, também depôs na polícia e ao procurador anticorrupção Pedro Horrach, em 24 de novembro.

Roig afirmou ter pedido ao Nóos um estudo sobre o valor do patrocínio do estádio de futebol da equipe ‘basicamente porque Iñaki Urdangarin era seu presidente’.

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Em sua declaração, Roig disse que Torres e Urdangarin fixaram o preço deste serviço em 696 mil euros.

‘Em troca desse dinheiro, Nóos entregou um relatório de 13 páginas -incluídas uma para capa, outra para o índice, uma para a introdução e a última de ‘conclusões’ de só três parágrafos – no qual assegura que o Villareal poderia obter entre 3,6 e 3,8 milhões de euros pelo ‘patrocínio’ de seu estádio.

No entanto, o grosso do dinheiro que foi parar nas mãos de Urdangarin e seu sócio veio de cofres públicos, e a Procuradoria Anticorrupção espanhola calculou em 5,8 milhões de euros o valor procedente dos governos regionais de Valência e das Ilhas Baleares.

O esquema de desvio de fundos descrito pela Procuradoria em seus relatórios consistia em obter as incumbências sem concurso prévio e encomendar em nome do Instituto Nóos os trabalhos às companhias dos próprios Urdangarin e Torres.

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Ambos também construíram uma ‘estrutura societária’ no paraíso fiscal de Belize e no Reino Unido, que supostamente usaram para desviar mais de 900 mil euros.

O marido da infanta Cristina, filha mais nova do rei da Espanha, foi acusado pelos supostos crimes de desvio, fraude, falsidade documentária e prevaricação em suas atividades à frente do Instituto Nóos.

A Casa real decidiu em dezembro separar Urdangarin dos atos oficiais por seu comportamento ‘não exemplar’. EFE

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