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Testemunha volta atrás e diz que forjou prova de fraude nas eleições

Funcionário dos Correios mentiu em depoimento em que disse que havia adulterado a data de recebimento de algumas cédulas na Pensilvânia

Por Da Redação 11 nov 2020, 14h56

Richard Hopkins, que trabalha para o Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS), voltou atrás em seu depoimento e afirmou ter forjado a evidência que provaria que houve fraude na contagem de votos em Erie, Pansilvânia, estado onde o democrata Joe Biden conquistou os delegados necessários para ganhar do presidente Donald Trump.

Na terça-feira 10, o jornal americano The Washington Post, com base em entrevistas com três investigadores, afirmou que Hopkins admitiu ter falsificado a prova. Nesta quarta-feira, 11, os democratas do Comitê de Supervisão da Câmara confirmaram a história relatada pelo Post.

“Hoje os investigadores informaram os funcionários do comitê que entrevistaram Hopkins na sexta-feira, mas disseram que ele voltou atrás ontem em suas alegações e que não explicou o porquê de ter assinado um depoimento falso”, informou a comissão.

A primeira versão de Hopkins dizia que um supervisor da USPS mandou os funcionários de sua equipe adulterarem algumas cédulas, alterando o seu horário de chegada para tornar-las válidas apesar do atraso em que foram postadas. Nos EUA, o voto pelo correio é totalmente legalizado, mas sujeito às regras de cada estado. Na Pensilvânia, por exemplo, apenas as cédulas postadas até o dia 3 de novembro deveriam ser consideradas. 

Sem apresentar qualquer prova, Trump alega que os votos que chegam atrasados ou que são enviados no dia do pleito são ilegais e fraudulentos, uma vez que poderiam favorecer o presidente eleito Joe Biden.

Quando Hopkins tornou a denúncia publica, o senador republicano pela Carolina do Sul, aliado de Trump e líder do Comitê Judiciário do Senado, Lindsay Graham, pediu por uma investigação federal. Na terça-feira 10, o procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, autorizou investigações contra fraudes nas eleições. O anúncio causou a renúncia de Richard Pilger, a principal autoridade do Departamento de Justiça para investigar irregularidades no processo eleitoral.

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Em sua renúncia, Pilger destacou que há 40 anos o departamento segue uma política clara de não intervenção nas eleições, com as investigações criminais realizadas somente após a homologação e certificação dos resultados.

Até o momento, Trump e seu time de advogados processaram os estados da Geórgia, Wisconsin, Minessota, Arizona e Pensilvânia alegando fraude no pleito, sem apresentar qualquer prova. A campanha do republicano abriu uma linha de telefone para receber as denúncias e enviou emails aos apoiadores pedindo por doações em dinheiro para arcar com os custos legais.

Uma das denúncias dos republicanos diz que representantes do partido teriam sido impedidos de estarem nos locais de apuração de voto para acompanhar o processo. No entanto, um advogado da campanha admitiu que um número “não zero” de observadores estavam presentes nos locais de contagem de votos.

Desde o começo da pandemia de Covid-19, era esperado que os eleitores democratas votassem em sua maioria por meio dos correios ou antecipadamente, enquanto os republicanos, seguindo a retórica anti-distanciamento social do presidente, fossem às urnas no dia 3 de novembro, o que realmente aconteceu. A contagem de votos, por sua vez, foi diferente em cada estado e lenta nos mais decisivos, sendo que na Pensilvânia, onde Biden conseguiu ser eleito, o processo foi mais vagaroso.

Trump, por sua vez, afirma que teria ganhado já na noite da eleição por meio dos “votos legais” e presenciais, e espera reverter o resultado do pleito na Justiça.

As alegações de fraude, no entanto, não foram corroboradas pelas autoridades eleitorais dos estados, sejam eles governados por republicanos ou democratas, segundo o jornal americano The New York Times. Observadores internacionais também não encontraram indícios ou provas de má condução na eleição. A Organização para os Estados Ameriacanos (OEA),disse em um relatório premilinar que não observou “diretamente nenhuma irregularidade grave” na votação.

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