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Terroristas matam ao menos 70 estudantes no Quênia

Ataque contra a Universidade de Garissa foi feito pelo grupo extremista islâmico Al Shabab

(Atualizado às 14h11)

Pelo menos 70 estudantes foram mortos por terroristas islâmicos em uma universidade do Quênia, informa o jornal Le Monde nesta quinta-feira. Um grupo de atiradores mascarados invadiu a Universidade de Garissa atirando indiscriminadamente. Os extremistas também detonaram artefatos explosivos. Outros 79 estudantes ficaram feridos e muitos estão em estado grave, atingidos por tiros de fuzis. Policiais e militares quenianos trocaram tiros com os terroristas, mataram quatro e prenderam um quinto agressor. As operações de resgate continuam no campus, onde há mais de 11 horas um grupo de terroristas se refugiou em uma das instalações universitárias com um número indeterminado de reféns.

O grupo extremista islâmico Al Shabab, ligado à Al Qaeda, emitiu uma nota assumindo responsabilidade pelo ataque. Sediados na Somália, os terroristas do Al Shabab frequentemente cruzam a fronteira para realizar atentados no Quênia. A cidade de Garissa, onde fica a universidade atacada, está localizada a 200 quilômetros da Somália. “Das quatro residências estudantis, três foram evacuadas. Os atiradores foram encurralados em uma das residências e as operações continuam”, informou o Ministério do Interior do Quênia em sua conta oficial no Twitter. A universidade tem cerca de 800 estudantes.

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Os criminosos entraram às 5h30 (23h30 de Brasília, quarta-feira) no campus da universidade, no horário que os estudantes estavam se preparando para ir à missa católica matutina. Testemunhas afirmaram que os terroristas separaram os muçulmanos e permitiram que deixassem o local. Ao meio-dia do horário local (6h00 em Brasília), as forças de segurança prosseguiam com a operação contra os criminosos, anunciou o chefe de polícia do Quênia, Joseph Boinnet. Segundo o Centro de Operação de Desastres do governo do Quênia, dois seguranças da universidade também morreram no ataque. Os feridos foram levados para hospitais da região. “A maioria das vítimas tem ferimentos de bala”, informou a Cruz Vermelha do Quênia. A Cruz Vermelha informou muitos feridos em estado crítico foram levados de avião para a capital Nairóbi, que fica a 350 km.

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Um porta-voz dos terroristas, Sheikh Ali Mohamud Rage, em uma ligação telefônica à agência France-Presse, afirmou que a ação é uma vingança contra a intervenção de tropas do Quênia na Somália. “O Quênia está em guerra com a Somália, nosso povo continua lá, eles estão lutando e sua missão é matar os que são contrários ao Al Shabab”, disse, referindo-se à ação conjunta de países africanos para combater os terroristas.

A cidade de Garissa, no centro-leste do país, abriga uma base militar e já tinha sido palco de violência terrorista. Em 2012, dezesseis pessoas foram mortas em ataques coordenados em duas igrejas católicas da cidade. Em 2014, pelo menos 200 pessoas morreram e centenas ficaram feridas no Quênia em ataques reivindicados pelos terroristas da Al Shabab. As regiões do Quênia situadas na fronteira com a Somália, e em particular as áreas de Mandera e Wajir, assim como a de Garissa, são cenários frequentes de ataques islamitas. O ataque de maior impacto reivindicado pelos terroristas somalis foi a invasão, em setembro de 2013, do shopping Westgate em Nairóbi, que terminou com 67 mortos. O atentado de hoje pode voltar a abalar a indústria turística do país. Nesta quarta, poucas horas antes do início do ataque em Garissa, o presidente Uhuru Kenyatta afirmou que o Quênia “é um país tão seguro como qualquer outro do mundo”.

(Da redação)