Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Territórios ultramarinos da França iniciam disputa entre Sarkozy e Hollande

Paris, 5 mai (EFE).- Os cidadãos dos territórios ultramarinos da França deram início neste sábado ao segundo turno das eleições presidenciais do país, disputado entre o atual presidente, Nicolas Sarkozy, e o candidato do Partido Socialista, François Hollande, um dia antes do pleito na parte europeia da nação.

O processo começou às 7h (pelo horário de Brasília) para os cerca de 1,7 milhão de franceses dos territórios no continente americano, em uma eleição considerada ‘histórica’ pela imprensa francesa, que destacou a apertada diferença apontada pelas pesquisas de intenções de voto entre os dois candidatos.

‘No domingo, tudo é possível’, era a manchete do jornal ‘Libération’, enquanto a capa do ‘Le Figaro’ estampava o ‘destino da França’ como o que está em jogo nas eleições presidenciais, nas quais Sarkozy tentará conseguir a reeleição frente a Hollande, considerado favorito pelas pesquisas.

No entanto, a vantagem do socialista se reduziu nos últimos dias e chegou a quatro pontos percentuais à frente de Sarkozy nas pesquisas publicadas na França até meia-noite local (19h de Brasília) de sexta-feira, quando terminou uma intensa campanha eleitoral marcada até o fim por surpresas.

Entre estas, destaca-se o anúncio do ex-candidato centrista François Bayrou, que já se mostrou favorável a Hollande, dando assim um giro inesperado que pode modificar o sentido que se previa que teria o voto dos seguidores do Movimento Democrático (MoDem), um partido de centro com mais inclinação natural rumo à legenda governista União por um Movimento Popular (UMP), de Sarkozy.

Desde o meio-dia local de Paris (7h de Brasília), já se votava em Saint-Pierre et Miquelon, próximo ao litoral do Canadá. Posteriormente, os colégios eleitorais abriram na Guiana Francesa, Guadalupe, Martinica, Saint-Barthélemy, Saint-Martin e em representações diplomáticas francesas nos países do continente americano.

A votação antecipada nas regiões francesas fora da Europa se organiza para evitar a influência de tendência de votos caso a jornada eleitoral dos territórios ultramarinos coincidissem com a da metrópole, dadas as diferenças horárias.

Depois, as votações continuam na Polinésia Francesa, Wallis et Futuna e Nova Caledônia, de modo que, quando os últimos colégios eleitorais fecharem nesses territórios, começarão a abrir os da metrópole, onde a votação se desenrola a partir das 8h locais de domingo (3h de Brasília).

Neste domingo, quando estão proibidas as manifestações políticas de propaganda eleitoral, Sarkozy e Hollande mantiveram uma agenda mais calma: o presidente permaneceu com a família, enquanto o socialista preferiu aparecer em público em seu reduto de Corrèze, onde foi visto num mercado.

A contagem dos votos será feita logo após o fechamento das urnas, mas os resultados não serão divulgados antes de domingo às 20h locais de Paris (15h de Brasília), quando todos os colégios eleitorais da metrópole tiverem fechado.

No total, cerca de 45,5 milhões de eleitores (um censo similar ao de cinco anos atrás) decidirão entre este sábado e domingo quem será o novo presidente da República para um novo período de cinco anos.

Segundo todas as pesquisas publicadas antes do fechamento oficial da campanha – e nesta ocasião foi publicado um número recorde de quase 400 -, Hollande está à frente de Sarkozy, mas o presidente reduziu a diferença.

No território continental francês, os colégios abrirão neste domingo na mesma hora e fecharão suas portas às 18h locais (13h de Brasília), embora funcionem uma hora a mais em cidades como Dijon, Rennes e Tours, e duas em grandes centros como Paris, Marselha, Lyon, Toulouse, Bordeaux e Estrasburgo.

Por isso, está rigorosamente proibida a publicação de pesquisas boca de urna em colégios que tiverem fechado antes dos que permanecerem abertos até 20h locais (15h de Brasília).

No entanto, como ocorreu em 22 de abril passado – data do primeiro turno -, já é esperado que a imprensa de países vizinhos, especialmente Bélgica e Suíça, divulgue antes os resultados dessas pesquisas e também prévias das votações finais procedentes de territórios ultramarinos. EFE