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Temperatura da Terra está subindo mais rápido do que esperado, indica IPCC

Relatório de painel da ONU é um 'alerta vermelho para a humanidade', já que algumas alterações climáticas causadas pelo homem já são irreversíveis

Por Da Redação Atualizado em 9 ago 2021, 09h19 - Publicado em 9 ago 2021, 09h07

O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, publicado nesta segunda-feira, 9, indica que o aquecimento global está se avançando mais rapidamente do que o esperado. O estudo ainda aponta que a atividade humana está alterando o clima do planeta de maneiras “sem precedentes” e que algumas das mudanças já se tornaram “irreversíveis”.

Segundo o IPCC, a temperatura média da Terra pode chegar a 1,5 ou 1,6 graus Celsius a mais dos que na era pré-industrial por volta de 2030. Isto ocorreria uma década antes do que o próprio painel previu há apenas três anos.

Os cientistas, porém, afirmam que uma catástrofe pode ser evitada se a humanidade agir rapidamente. Há esperança de que um corte drástico e imediato nas emissões de gases do efeito estuda possa estabilizar o aumento das temperaturas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o relatório como “um alerta vermelho para a humanidade”, observando que “o aquecimento global está afetando todas as regiões da Terra, com muitas mudanças se tornando irreversíveis”.

O documento, finalizado e aprovado por 234 autores e 195 governos, é a maior atualização do estado do conhecimento sobre ciência climática desde o lançamento de outro relatório em 2014. 

Degradação alarmante

O relatório destaca o desmatamento, o derretimento de geleiras e a diminuição da capacidade de florestas, solos e oceanos de absorver CO2 como fatores alarmantes. O IPCC ainda cita as ondas de calor sem precedentes, grandes inundações, furacões e secas mais graves e prolongadas como algumas das consequências diretas da mudança climática.

A taxa de aquecimento está se acelerando: as temperaturas globais de superfície aumentaram mais rapidamente desde 1970 do que em qualquer outro período de 50 anos durante pelo menos os últimos 2000 anos. 

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Segundo os cientistas, a dependência da sociedade de combustíveis fósseis é a razão pela qual o planeta já aqueceu 1,2 grau Celsius em relação aos níveis pré-industriais. Como consequência, o nível global dos oceanos aumentou cerca de 20 cm desde 1900 e a taxa de elevação praticamente triplicou na última década.

Os especialistas afirmam que as calotas de gelo que derretem na Antártida e na Groenlândia são agora o principal fator para a elevação, à frente do degelo dos glaciares.

Se as temperaturas globais aumentarem 2 graus, o nível dos oceanos aumentará cerca de meio metro ainda no século XXI. E continuará aumentando até quase dois metros até 2300, o dobro do que o IPCC previa em 2019.

O aquecimento também está acontecendo ainda mais rápido do que os cientistas pensavam anteriormente, o que tornaria inviáveis as metas estabelecidas pelo acordo climático de Paris. Assinado em 2015, o pacto prevê reduzir as emissões de gases de efeito estufa para limitar o aumento médio de temperatura global a 2 graus.

Fim das emissões

O relatório deixa claro que a única maneira de desacelerar e, eventualmente, reverter o aquecimento é reduzir as emissões de gases de efeito estufa a zero. Na suposição de que se faça absolutamente tudo que está no alcance da humanidade, a temperatura global, após ter subido 1,5 grau Celsius, será 1,4 grau superior à da era pré-industrial até 2100.

Os cientistas são claros quanto à necessidade de combater outros gases de efeito estufa além do CO2 no curto prazo. As emissões de metano – um poderoso gás de efeito estufa – são particularmente preocupantes.

Algumas mudanças, porém, são irreversíveis, mesmo nos cenários de emissões mais baixas. Os mantos de gelo, por exemplo, continuarão derretendo por centenas a milhares de anos, o que fará com que o nível do mar suba bem e permaneça mais alto por milênios.

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