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Talibãs se consideram mais fortes que há 10 anos, quando perderam o poder

Por Da Redação 13 nov 2011, 12h39

Alberto Masegosa.

Cabul, 13 nov (EFE).- O principal porta-voz da milícia talibã no Afeganistão, Zabiullah Mujahid, afirmou neste domingo que o movimento rebelde é mais forte hoje que dez anos atrás, quando foi derrubado do poder pela intervenção dos Estados Unidos no país, pois, segundo ele, os insurgentes ‘ganharam experiência política e militar’.

‘Agora podemos atuar na totalidade do país’, afirmou Mujahid em entrevista por telefone à Agência Efe de um lugar não especificado da fronteira entre Paquistão e Afeganistão, uma década após a queda do regime talibã em Cabul.

O porta-voz insurgente enfatizou o poder do movimento. ‘Somos capazes de desestabilizar qualquer região, inclusive o vale do Panjshir’, ao norte da capital afegã, onde a milícia talibã nunca conseguiu operar durante os cinco anos em que ocupou o governo.

Mujahid atribuiu a queda do regime talibã exclusivamente à ‘invasão das tropas estrangeiras’ e destacou que os rebeldes continuarão a lutar ‘enquanto houver forças ocupantes, o país não seguir os preceitos do islã e os americanos tiverem o poder’.

‘A guerra santa é o único modo de mudar essa situação e trazer prosperidade ao povo’, declarou o porta-voz, que chamou de ‘farsa’ o processo de reconciliação nacional buscado pelo presidente Hamid Karzai. ‘É mais um espetáculo para mostrar à imprensa internacional que é o homem que trará a paz aos afegãos. Nunca terá sucesso’.

De acordo com fontes dos serviços de inteligência locais, o pseudônimo de Zabiullah Mujahid esconde a identidade de Qari Nesser Ahmed, um médico que viveria na localidade paquistanesa de Chaman, próxima à fronteira com o Afeganistão.

Nessa mesma região fica a cidade de Quetta, onde, segundo essas fontes, estaria escondido o líder do movimento talibã, mulá Omar.

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‘O movimento talibã se sente forte’, apontou à Efe um ex-funcionário do antigo regime talibã, Waheed Mozhdah, atual analista político em Cabul, onde escreveu vários livros sobre seu antigo movimento.

‘Quando o talibã se sente fraco, cala. Quando se sente forte, fala, como agora’, explicou Mozhdah, que durante a meia década de governo talibã exerceu o cargo de diretor do departamento de Assuntos Asiáticos e Oriente Médio no Ministério das Relações Exteriores.

‘Seu discurso é como o de 1996, quando tomaram o governo. O então presidente Burhanuddin Rabbani – assassinado por um terrorista talibã suicida em setembro passado -, lhes ofereceu compartilhar o poder, mas rejeitaram a oferta porque se sentiam fortes’, explicou Mozhdad.

‘O presidente Karzai também lhes propôs agora compartilhar o poder, mas rejeitaram a oferta. A razão é que eles se sentem fortes’, acrescentou.

O ex-membro do antigo regime talibã não descartou que o movimento recupere o poder assim que, de acordo com o calendário previsto, as tropas internacionais se retirem totalmente do país, em 2014. ‘No Afeganistão tudo é possível’, foi sua resposta.

‘Eles estão cientes de que, quando estiveram no poder, cometeram erros’, reconheceu Mozhdah, que revelou que, durante todo este tempo desde que saiu do poder, não perdeu o contato com seus antigos correligionários. ‘Me telefonam de vez em quando, sobretudo à noite’.

‘Se recuperarem o poder, mudariam algumas coisas em relação a seu anterior regime, mas na essência seria igual’, concluiu o analista. EFE

amg/sa

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