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Talibã viaja à Noruega para negociações sobre direitos humanos

O Ministro das Relações Exteriores da Noruega afirmou que mesmo com o encontro, não estão "legitimando ou reconhecendo" o governo do Talibã

Por Duda Gomes Atualizado em 21 jan 2022, 17h32 - Publicado em 21 jan 2022, 17h29

O Ministério das Relações Exteriores da Noruega disse na sexta-feira (21) que convidou representantes do Talibã para Oslo de 23 a 25 de janeiro. A delegação do grupo conversará com autoridades internacionais sobre direitos humanos e ajuda humanitária para o Afeganistão.

Ele também relatou que no início desta semana, uma delegação norueguesa visitou Cabul para conversar sobre a precária situação humanitária no país.

É a primeira visita oficial do Talibã ao ocidente desde que tomou o poder do país, em agosto do ano passado. Eles já viajaram para a Rússia, Irã, Catar, Paquistão, China e Turcomenistão.

Mesmo com a visita, Oslo afirmou que não reconhece o governo do Talibã.

“Não foi uma legitimação ou reconhecimento do Talibã. Mas devemos falar com aqueles que na prática governam o país hoje”, disse o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Anniken Huitfeldt.

“Estamos extremamente preocupados com a grave situação no Afeganistão (…) é uma catástrofe humanitária em grande escala para milhões de pessoas”, acrescentou.

Acredita-se que representantes especiais dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e União Europeia participem do encontro.

O governo da Noruega ainda não confirmou os países integrantes, mas informou que incluirão “líderes mulheres, jornalistas e pessoas que trabalham com, entre outras coisas, direitos humanos e questões humanitárias, econômicas, sociais e políticas”.

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A delegação do Talibã será liderada pelo Ministro das Relações Exteriores do grupo, Amir Khan Muttaqi, que certamente irá exigir que os quase 1o bilhões de dólares em ativos do ocidente – que estão congelados atualmente – sejam liberados.

Zabihullah Mujahid, vice-ministro afegão da Cultura e Informação, disse que Muttaqi espera realizar reuniões separadas com a delegação dos Estados Unidos e conversas bilaterais com representantes europeus.

Um dos pontos importantes a serem debatidos no encontro são os direitos das mulheres no Afeganistão. A educação para as meninas no país é restrita, mas ainda funciona na capital, Cabul, com turmas pequenas e segregadas.

O anúncio das negociações ocorre dias depois que o Talibã invadiu um apartamento em Cabul e prendeu uma ativista dos direitos das mulheres e suas três irmãs, informou a Associated Press.

Uma declaração do Talibã parece atribuir o incidente a um protesto recente de mulheres, dizendo que insultar os valores afegãos não será mais tolerado.

A Anistia Internacional também pediu nesta sexta-feira (21) que as autoridades do Talibã investiguem o sequestro de Alia Azizi, uma funcionária da prisão que está desaparecida há mais de três meses.

O Ministério das Relações Exteriores em Oslo disse que o Afeganistão está passando por seca, pandemias, colapso econômico e os efeitos de anos de conflito.

Segundo eles, cerca de 24 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar aguda e não têm certeza de como obter alimentos suficientes. Estima-se que um milhão de crianças podem morrer de fome.

De acordo com a ONU, a fome irá afetar mais da metade da população neste inverno e que 97% dos afegãos podem ficar abaixo da linha da pobreza este ano.

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