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Talibã diz ter proibido casamento forçado no Afeganistão

Extremistas ainda não se posicionaram de fato sobre os direitos das mulheres no trabalho e educação

Por Duda Gomes 3 dez 2021, 16h47

O chefe do Talibã, Hibatullah Akhunzada, emitiu decreto nesta sexta-feira, 3, em que proíbe o casamento forçado no Afeganistão.

No documento, disse que as mulheres não devem ser consideradas “propriedade” e precisam consentir com a decisão. 

 “Ambos (mulheres e homens) devem ser iguais, (…) ninguém pode forçar as mulheres a se casarem por coerção ou pressão”, informou o decreto.

Mesmo com decisão progressista, ainda não se sabe ao certo se o Talibã respeitará os direitos das mulheres, como prometeu quando tomou o poder. Em algumas localidades do país as meninas e mulheres pararam de frequentar as escolas e trabalho, ou por medo ou porque foram proibidas pelos  extremistas.

A idade mínima para se casar, que antes era de 16 anos, não foi mencionada no decreto. O grupo também disse que agora as viúvas terão permissão para se casar novamente, 17 semanas após a morte do marido.

Uma tradição bem comum no Afeganistão é das viúvas se casarem com irmãos ou familiares do ex-marido. Com a nova ordem, elas poderiam escolher livremente seus pretendentes.

O Talibã afirma que ordenou aos tribunais afegãos que tratem as mulheres com justiça, especialmente as viúvas que buscam herança como parentes próximos, e que os ministros do governo difundissem a conscientização sobre os direitos das mulheres na população.

Respeitar os direitos humanos foi um ponto chave levantado pela comunidade internacional para assumir um compromisso com o Afeganistão futuramente. Os EUA congelaram mais de 10 bilhões de dólares em ativos do país, e os outros países seguiram a mesma linha, acabando com o financiamento que ofereciam. 

O país no momento sofre uma intensa crise humanitária e econômica, como quase 95% da população sem ter o que comer. 

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