Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Suu Kyi confirma que disputará eleições legislativas de Mianmar

Por Da Redação 10 jan 2012, 09h22

Bangcoc, 10 jan (EFE).- A líder do movimento democrático de Mianmar, Aung San Suu Kyi, confirmou nesta terça-feira que disputará as eleições legislativas parciais do dia 1º de abril, com o fim de obter a cadeira necessária para liderar a oposição parlamentar.

Após várias semanas de indecisão sobre sua candidatura, a Liga Nacional para a Democracia (LND) anunciou por meio de seu porta-voz, Nyan Win, que Suu Kyi concorrerá a uma das 40 cadeiras vagas da Câmara Baixa, composta por 440 assentos.

‘É oficial que Daw (Dama) Aung San Suu Kyi será candidata pela Liga Nacional para a Democracia’, indicou o porta-voz em uma nota.

Suu Kyi e os assessores da legenda que lidera elegeram a cadeira correspondente à circunscrição eleitoral de Kahwmu, uma área rural e pobre situada a sudoeste de Yangun, a antiga capital.

Com cerca de 130 mil habitantes, Kahwmu é um dos pontos da região do delta do rio Irrawaddy que foi mais afetado pelo ciclone Nargis em maio de 2008, que causou 138 mil mortes.

As eleições parciais têm como objetivo completar as cadeiras vagas do Legislativo eleito em novembro de 2010, na votação boicotada por Suu Kyi e um setor de seu partido, que consideravam que a lei eleitoral era antidemocrática.

A LND resolveu disputar as eleições de abril e solicitar sua inscrição no registro de partidos depois que em novembro de 2011 o presidente birmanês, Thein Sein, assinou o decreto de reforma da legislação eleitoral.

Os partidos políticos que se apresentarem disputarão 46 das 440 cadeiras do Legislativo, concretamente 40 da Câmara Baixa, seis da Câmara Alta e outras duas pertencentes a assembleias legislativas regionais.

Continua após a publicidade

Este será o primeiro teste da popularidade de Suu Kyi e da LND desde que ganhou por ampla margem de votos as eleições realizadas em 1990, cujos resultados nunca foram acatados pelo regime militar que em maio do ano passado cedeu o poder aos ex-generais ligados ao partido governista.

A Comissão Eleitoral, presidida pelo ex-general Tin Aye, se comprometeu a ‘garantir a legitimidade das eleições’, uma condição exigida pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos para levantar as sanções que pesam sobre Mianmar em resposta ao abuso dos direitos humanos durante o regime militar.

Caso ganhe a cadeira, e segundo o porta-voz da LND, está previsto que Suu Kyi assuma o papel de líder dos partidos da oposição com representação no Legislativo, no qual os militares têm reservadas 110 cadeiras do total de 440 da Câmara Baixa e 56 assentos de uma Câmara Alta integrada por 224.

O governista Partido do Desenvolvimento e Solidariedade da União, do presidente e ex-general Thein Sein, controla 80% das 498 cadeiras restantes do Legislativo.

A legenda de Suu Kyi, que durante as últimas duas décadas de perseguição foi obrigada a fechar as representações que tinha no país, enfrentará o teste das urnas com recursos limitados e sem saber exatamente o número de membros que possui.

Segundo a Associação para a Assistência aos Presos Políticos de Mianmar, do total de 1.572 que permanecem presos, pelo menos 260 são ativistas da Liga Nacional para a Democracia, a maior parte deles chefes regionais da organização.

Em mais de uma ocasião, o vice-presidente da Liga, Win Tin, de 82 anos, alertou que o partido, que em sua sede de Yangun conta com pessoas de idade avançada em sua maioria, precisa se renovar para captar militantes que apresentem novas ideias.

Além disso, a LND enfrenta ainda a cisão surgida antes das eleições de 2010 pelo fato de que um grupo de destacados membros ter se oposto ao boicote e decidido fundar uma nova legenda para participar das legislativas. EFE

Continua após a publicidade
Publicidade