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Suposta vítima de Strauss-Kahn diz que está lutando por todas as mulheres

Por Stan Honda 28 jul 2011, 15h04

A camareira de hotel que acusa o ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, de crimes sexuais declarou nesta quinta-feira que ela e sua filha choram todos os dias desde que aconteceu a suposta tentativa de estupro, em 14 de maio, e que, com sua denúncia, “quer lutar por todas as mulheres do mundo”.

“Choro com minha filha todos os dias e quero mostrar-me corajosa para todas as mulheres do mundo”, afirmou Nafissatou Diallo em breve declaração à imprensa.

“Não quero que o que aconteceu comigo aconteça com outras mulheres. Quero mostrar-me corajosa para todas as mulheres do mundo”, acrescentou diante de dezenas de jornalistas reunidos num centro comunitário cristão em Canarsie, um bairro humilde do Brooklyn.

“Sei que dizem muitas coisas de mim que não são certas”, afirmou ainda, durante sua curta apresentação de três minutos, quando reproduziu uma conversa com sua filha de 15 anos na qual a menina pede que a mãe pare de chorar.

Seu advogado, Kenneth Thompson, que tomou a palavra em seguida, afirmou que, com sua cliente, está defendendo “todas as mulheres que foram vítimas de agressões sexuais em todo o mundo”.

Thompson reiterou que se os promotores não seguirem avante com o caso, “será necessário obter justiça através de um processo civil”.

A muçulmana de 32 anos e de origem guineana também estava acompanhada pelo pastor A.R. Bernard (diretor do centro) e pelo presidente do Congresso da União Africana, Mohammed Nurhussien, assim como por vários dirigentes de organizações de defesa dos direitos da mulher.

Diallo iniciou uma ofensiva midiática no início da semana em meio às crescentes dúvidas sobre se o promotor Cyrus Vance continuará adiante com o caso contra Strauss-Kahn.

Na véspera, o advogado da camareira afirmou que ela não busca dinheiro com sua denúncia de estupro, depois que Diallo passou oito horas com os procuradores para esclarecer uma conversa que ela teve por telefone com um preso.

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Nafissatou Diallo “nunca disse as palavras” atribuídas à ela por um jornal americano, segundo as quais Strauss-Kahn “tem muito dinheiro”, afirmou o advogado Kenneth Thompson em referência a uma conversa por telefone entre sua cliente e um amigo preso, feita após o episódio de 14 de maio em um hotel em Nova York.

A suposta vítima do ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) tem direito a apresentar uma ação civil, completou por outro lado Thompson à imprensa na porta do tribunal localizado no sul de Manhattan.

Depois de permanecer em silêncio e no anonimato desde meados de maio, a mulher guineana de 32 anos apareceu em público no domingo e concedeu entrevistas, inclusive na televisão, nas quais relatou com detalhes os abusos sexuais dos quais afirma ter sido vítima.

Após sua surpreendente aparição pública, a promotoria anunciou na terça-feira um novo adiamento da próxima audiência do caso contra Strauss-Kahn, de 1º para 23 de agosto, após um acordo com os advogados de defesa.

Segundo o New York Times, Diallo teria dito a um amigo preso na conversa telefônica (chave para sustentar ou não a credibilidade da denunciante): “este tipo tem muito dinheiro, sei o que faço”.

Em uma entrevista ao canal de televisão ABC, Diallo assegurou que disse “sei o que faço” ao referir-se ao fato de que havia recorrido a um advogado.

Strauss-Kahn, que goza de liberdade sob palavra, enfrenta sete acusações, entre elas a de tentativa de estupro.

Os advogados do ex-diretor do FMI, William Taylor e Benjamin Brafman, deram seu “consentimento” para postergar a audiência, que já havia sido mudada pela primeira vez de 18 de julho para 1º de agosto, reiterando seu pedido de que se abandonem as acusações contra seu cliente.

O caso teve uma virada espetacular em 1º., de julho por causa da descoberta de falhas e mentiras no testemunho da camareira, o que levou à libertação de Strauss-Kahn depois de alguns dias na cadeia e algumas semanas de prisão domiciliar.

Para os advogados de Strauss-Kahn, a aparição pública de Diallo busca pressionar a promotoria para que continue com a causa penal, sem a qual uma demanda civil potencialmente lucrativa não prosperaria.

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