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Super-ricos querem pagar mais impostos para combater efeitos da pandemia

Sobretaxar as próprias fortunas é a solução encontrada pelo seleto clube de bilionários para minimizar as desigualdades sociais, agravadas pela Covid-19

Por Da Redação - 13 jul 2020, 16h52

Um grupo formado por 83 pessoas, que fazem parte do seleto clube de indivíduos mais ricos do mundo, enviou uma carta destinada a diversos governos pedindo que suas fortunas fossem sobretaxados permanentemente. A medida valeria para todos os membros da elite financeira e ajudaria na recuperação econômica da crise provocada pela Covid-19.

“Pedimos que nossos governos aumentem impostos sobre pessoas como nós. Imediatamente. Substancialmente. Permanentemente”, solicitaram os membros do Super-Ricos, que inclui o co-fundador da marca de sorvetes Ben and Jerry’s, Jerry Greenfield, e a herdeira de Walt Disney, Abigail Disney.

A carta, divulgada antes da reunião do G20 com os presidentes dos bancos centrais, clama aos políticos que enfrentem a desigualdade global e reconheçam que o aumento de impostos sobre a riqueza e maior transparência tributária internacional são essenciais para uma solução viável a longo prazo.

“À medida que a Covid-19 atinge o mundo, milionários, como nós, têm um papel crítico a desempenhar na recuperação”, disseram os milionários na carta, compartilhada com o jornal britânico The Guardian. O grupo alertou que o impacto econômico da crise do coronavírus “durará décadas” e poderá “levar meio bilhão a mais de pessoas à pobreza”.

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“Não somos nós que cuidamos dos doentes em enfermarias de terapia intensiva. Não estamos dirigindo as ambulâncias que levarão os doentes aos hospitais. Não estamos reabastecendo as prateleiras dos supermercados ou entregando comida de porta em porta. Mas nós temos dinheiro, muito dinheiro. Dinheiro que é desesperadamente necessário agora e continuará sendo necessário nos próximos anos, à medida que o mundo se recupera dessa crise”, escreveram.

Entre os que assinam a carta estão Sir Stephen Tindall, fundador do Warehouse Group e segundo homem mais rico da Nova Zelândia, que acumula uma fortuna de 475 milhões de dólares; o roteirista e diretor britânico Richard Curtis; e o capitalista de risco irlandês John O’Farrell, que fez milhões investindo em empresas de tecnologia do Vale do Silício.

“Os problemas causados ​​e revelados pela Covid-19 não podem ser resolvidos com caridade, por mais generosas que sejam. Os líderes do governo devem assumir a responsabilidade de levantar os fundos que precisamos e gastá-los de maneira justa. Temos uma dívida enorme com as pessoas que trabalham nas linhas de frente desta batalha global. A maioria dos trabalhadores essenciais é grosseiramente mal paga pelo fardo que carregam”, diz a carta.

A pessoa mais rica do mundo, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, não assinou o documento. O empresário viu sua fortuna aumentar 75 bilhões de dólares só este ano, alcançando o recorde de 189 bilhões de dólares. Embora Bezos tenha doado 100 milhões de dólares à caridade, isso representa menos de 0,1% de sua fortuna estimada.

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Segundo relatório da Oxfam, ONG internacional que busca soluções para a desigualdade econômica, o 1% mais rico do mundo detém mais que o dobro da riqueza de 6,9 bilhões de pessoas. Somente no ano passado, os bilionários do planeta, que somavam apenas 2.153 indivíduos, detinham mais riqueza do que um total de 4,6 bilhões de pessoas.

A proposta de sobretaxar os super ricos encontra eco em vários partidos e políticos alinhados à esquerda. Nos Estados Unidos, Bernie Sanders, pré-candidato democrata derrotado nas prévias do partido esse ano defendeu a proposta, forçando o vencedor, Joe Biden a considerá-la em seu programa de governo.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista reivindica que o liberal de Boris Johnson siga o mesmo caminho para ajudar a financiar a recuperação econômica pós pandemia. “Certamente apoiamos o princípio de que aqueles com ombros mais largos devem suportar o maior fardo”, diz Keir Starmer, líder trabalhista.

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