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Suécia vai às urnas em meio ao avanço da extrema-direita

País escolhe a nova composição do Parlamento, num pleito marcado pela igualdade entre os dois principais blocos políticos e a ascensão de radicais

Por EFE - 9 set 2018, 10h21

As eleições para a composição do Parlamento sueco (incluindo o primeiro-ministro) acontecem neste domingo, num pleito marcado pela igualdade entre os dois principais blocos políticos e a ascensão da extrema-direita.

Os mais de 7 milhões de suecos convocados às urnas poderão votar até as 20h (15 horas no horário de Brasília) para escolher os 349 integrantes do Parlamento.

As pesquisas dão como ganhador o Partido Social-democrata do primeiro-ministro, Stefan Löfven, com cerca de 25% dos votos, o que seria o pior resultado na história da força que dominou a política sueca no último século.

Como é tradição na Suécia, hoje acontecem também eleições municipais e regionais.

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As últimas pesquisas divulgadas apresentam um panorama similar: uma distância de pouco mais de um ponto entre o bloco governamental de centro-esquerda e a centro-direita, e os xenofóbos Democratas de Suécia (SD) lutando pelo segundo lugar com os conservadores.

O Partido Social-Democrata do primeiro-ministro, Stefan Löfven, aparece como vencedor com cerca de 25% dos votos, os piores números da história para uma legenda que ganhou todas as eleições na Suécia no último século e governa por 80 anos.

Se esse resultado se confirmar, o governo de coalizão em minoria de Löfven com os ecologistas, apoiados pelos ex-comunistas, teria muita dificuldade em continuar, uma vez que a Aliança de Centro-Direita reiterou na campanha que não se absterá em uma hipotética votação parlamentar para isolar o SD, algo que já fez em 2014.

“Este é um referendo sobre bem-estar e decência na democracia sueca. Não podemos ter um partido que ataca as minorias e os meios de comunicação com influência decisiva”, disse o primeiro-ministro após um comício em Estocolmo em alusão ao SD, uma força com raízes neonazistas em sua origem há três décadas, mas agora mais moderada.

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Löfven falou de lutar até o último momento por cada voto, uma ideia que levará amanhã à prática com vários comícios na periferia da capital, possibilidade permitida na Suécia e que foi usada em campanhas anteriores por outros líderes políticos.

O líder conservador e principal favorito a governar, Ulf Kristersson, insistiu na importância de tirar a centro-esquerda do poder, embora sem que ele nem seus aliados fizessem menção à questão de como vão formar governo sem ter maioria.

Kristersson repetiu na campanha sua intenção de governar independentemente de qual dos dois blocos tenha mais votos, dando como certo que o SD – com o qual não quer negociar nenhum acordo – se absterá ou votará a favor de sua posse, embora seu líder, Jimmie Åkesson, tenha assegurado que seu apoio não será gratuito.

“Se nota que desafiamos de verdade os social-democratas e os moderados na questão de qual é o maior partido do país”, disse Åkesson hoje em um comício em Malmö (sul de Suécia), onde como ocorreu em muitos atos eleitorais esteve acompanhado a poucos metros de uma manifestação contrária com gritos de “racista”.

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Åkesson apresentou o SD como a força política que enfrenta os velhos “partidos” e defendeu uma linha mais dura em imigração.

Pela primeira vez em uma campanha eleitoral sueca, a imigração e a criminalidade tiveram um lugar de destaque no debate político, diminuindo o protagonismo de outros assuntos como o modelo de bem-estar, os impostos e a saúde.

País com longa tradição em receber refugiados e uma população imigrante que ronda 20% do total, a Suécia viveu nos últimos anos uma mudança dramática em sua política de asilo, após o colapso no sistema de amparada provocado pelos 300.000 solicitantes que chegaram ao país nos últimos quatro anos.

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