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Sudão do Sul luta para se manter um ano após independência

Marvis Birungi.

Juba, 7 jul (EFE).- Um ano depois do nascimento da República do Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo segue lutando para se manter com um Governo incapaz de oferecer os serviços básicos aos cidadãos, que recorrem às ONGs para suprir suas necessidades.

O panorama atual é desanimador após a suspensão da produção de petróleo, a chegada de um grande número de sul-sudaneses procedentes do vizinho Sudão, o alto nível de analfabetismo e serviços sanitários ineficazes.

Milhões de sul-sudaneses retornaram à sua terra após a independência do país, em 9 de julho de 2011, com a ajuda da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), que contribuiu para a mudança de mais de um milhão de pessoas.

No entanto, a Acnur teme agora não poder atender a suas necessidades nos próximos meses.

‘O povo está voltando e precisa de terra, emprego e serviços básicos’, disse à Agência Efe uma porta-voz da agência no Sudão do Sul, Teresa Ongaro, que destacou que os que retornaram ‘estão começando uma nova vida em uma país extremamente subdesenvolvido’.

Milhares destas pessoas se acomodam em alojamentos temporários até que sejam transferidos para seus estados de origem.

Teresa destacou que recebem acomodação permanente as pessoas que se encontram em situação mais vulnerável, embora tenha lembrado que uma casa sem comida, água, serviços sanitários e escolas para as crianças não é suficiente.

Outro dos grandes problemas que as autoridades sul-sudanesas enfrentam é com relação à saúde: há apenas três grandes hospitais no país e a proporção é de um médico para quinhentos pacientes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o que coloca o Sudão do Sul entre os piores postos nesse campo.

Um exemplo disso é o índice de mortalidade materna, de 2 mil mortes para cada 10 mil partos.

A organização Cordaid (Caritas Holanda) está há mais de duas décadas colaborando com o Ministério da Saúde, prestando assistência ao hospital de Yambio, no estado de Equatória Ocidental, e a outros 15 centros médicos em todo o país.

A diretora da Cordaid no Sudão do Sul, Akinyi Walenda, afirmou à Efe que, durante todos estes anos, quase não viu melhoras na saúde, e assinalou que o sistema é muito novo e que ainda há muitas pessoas que não têm acesso a ele.

‘O orçamento que foi destinado pelo Governo à saúde não é muito grande, por isso as ONGs assumiram seu papel’, ressaltou Walenda.

Uma pesquisa recente do Escritório Nacional de Estatísticas do Sudão do Sul aponta que quase a metade da população está abaixo da linha de pobreza, o que se agravou com o forte aumento dos preços.

Somada a isso está a paralisação da produção de petróleo, anunciada em janeiro pelo regime de Juba, em resposta ao suposto confisco de óleo enquanto passava pelos oleodutos do Sudão.

Segundo o Ministério das Finanças, essa medida causou uma escassez de divisas estrangeiras no país e reduziu em 40% o valor da libra sul-sudanesa, o que provocou a falta de alimentos no país, que depende muito das importações.

As agências da ONU advertem que se a escassez de alimentos persistir, os trabalhadores humanitários é quem terão que proporcionar comida à população.

‘Os últimos cálculos apontam que 4,7 milhões de famílias vivem insegurança alimentícia no país, das quais um milhão sofrem uma situação grave’, apontou à Efe o chefe da missão no Sudão do Sul da Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Peterschmitt Etienne.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) tem como objetivo este ano dar assistência a 2,1 milhões de pessoas com 150 mil toneladas de comida, dentro de sua operação de emergência para o Sudão do Sul.

No entanto, para poder chegar a esta meta, a agência está buscando doadores parar cobrir o déficit que de US$ 160 milhões.

Como é improvável que a produção petrolífera seja retomada em breve pelas diferenças com Cartum, Juba anunciou que buscará outras fontes de renda como empréstimos no mercado doméstico a bancos comerciais para financiar os gastos públicos e a bancos internacionais para custear os grandes projetos de infraestrutura.

No entanto, muitos criticam o Executivo de Juba por quase não ter investido no país – onde há uma corrupção gritante – quando a produção de petróleo estava em curso.

O presidente sul-sudanês, Salva Kiir, revelou recentemente que dispõe de uma lista de 75 funcionários acusados de roubar fundos no valor de US$ 4 bilhões que seriam destinados à construção de clínicas, escolas e estradas. EFE