STF vira alvo de críticas da imprensa estrangeira com tom negativo em quase 60% das manchetes
Levantamento da FIA Business School analisou 172 matérias publicadas em nove países – nenhuma abordou a corte de forma positiva
Mais da metade das manchetes da imprensa internacional analisadas em um levantamento do IBEVAR-FIA Business School apresentou tom negativo em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o estudo, divulgado nesta segunda-feira, 28, 58% das 172 matérias avaliadas foram classificadas como desfavoráveis à corte, enquanto nenhuma recebeu classificação positiva. As demais foram consideradas neutras.
A pesquisa utilizou técnicas de Processamento de Linguagem Natural (NLP) para examinar manchetes publicadas em veículos de nove países, distribuídos por quatro continentes, sobre a última sessão do tribunal em meio ao escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Inicialmente, os pesquisadores reuniram 183 manchetes. Onze delas foram descartadas após uma etapa de verificação porque a sigla “STF” não se referia ao Supremo brasileiro. Entre os falsos positivos estavam referências a um partido regional da Áustria e a um termo técnico da indústria japonesa de materiais. Após a filtragem, a amostra final ficou em 172 títulos.
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Sem ideologia
O levantamento também buscou identificar se o tom adotado em relação ao Supremo nascia de viés político. De acordo com os pesquisadores, um teste estatístico não encontrou associação significativa entre a classificação dos veículos como de esquerda ou de direita e a avaliação positiva, negativa ou neutra da Corte.
Outra etapa da pesquisa avaliou quais elementos presentes nas manchetes estavam mais associados a avaliações negativas. As menções isoladas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-presidente Jair Bolsonaro não apresentaram resultados estatisticamente significativos, segundo o estudo.
Impacto eleitoral
A referência ao contexto eleitoral, por outro lado, apresentou associação com o tom das manchetes. Segundo o modelo de regressão logística utilizado pelos pesquisadores, títulos que relacionavam o STF à disputa presidencial registraram uma chance estimada 92,3% maior de serem classificados como negativos.
A pesquisa ainda identificou diferenças no enquadramento adotado por veículos de diferentes países. Segundo o levantamento, publicações de nações anglófonas, como Reino Unido e Canadá, enquadraram o episódio como uma investigação processual contra integrantes da Corte. Na Espanha e no México, a cobertura teria dado maior destaque às possíveis repercussões eleitorais. Já em Portugal, país com o maior número de manchetes na amostra, o STF apareceu com maior frequência associado a uma crise institucional mais ampla. Nenhuma publicação de países africanos foi incluída na amostra final.





