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‘Somos todos imigrantes’: a alfinetada do papa Leão em países europeus que fecham fronteiras

Pontífice critica 'indiferença' em relação aos estrangeiros que aportam na Europa durante seu último dia de viagem à Espanha

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 jun 2026, 08h49
‘Somos todos imigrantes’: a alfinetada do papa Leão em países europeus que fecham fronteiras Priorizar nos meus resultados Google

O papa Leão XIV voltou a fazer uma veemente defesa dos imigrantes nesta sexta-feira, 12, durante um discurso em um centro de acolhimento na ilha de Tenerife, nas Canárias. No último dia de sua viagem à Espanha, que teve grande foco na questão da imigração, o pontífice declarou que “a dignidade humana não tem passaporte” e cutucou governos que, sob a pressão da extrema direita, vêm endurecendo a política de entrada de estrangeiros

“Somos todos, de algum modo, imigrantes”, afirmou. “Todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial. Ajudemo-nos a fazer desta travessia um lugar mais humano para todos”, completou ele em sua intervenção no centro de acolhimento Las Raíces, diante de centenas de imigrantes e voluntários.

Tenerife é uma das ilhas Canárias, no Oceano Atlântico, que se tornaram uma importante porta de entrada para os imigrantes sem documentos que chegam à Espanha e à Europa.

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Leão XIV também deve se reunir com representantes de associações religiosas e laicas que ajudam os migrantes, antes de celebrar uma missa ao ar livre no porto de Santa Cruz de Tenerife para dezenas de milhares de pessoas. De Tenerife, o pontífice retornará para Roma e, durante o voo, deve conversar com os jornalistas.

Críticas abertas

Depois de visitar Madri e Barcelona no início da semana, o papa chegou na quinta-feira a outra ilha do arquipélago, Gran Canaria, onde criticou a “indiferença” em relação aos imigrantes e lançou uma coroa de flores ao mar no porto de Arguineguín em homenagem às milhares de pessoas que morreram ao tentar chegar às ilhas.

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Quase 1.200 pessoas morreram ou desapareceram na rota da África às ilhas Canárias no ano passado, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o que a transforma em uma das rotas migratórias mais letais do mundo.

“A dignidade humana não tem passaporte“, afirmou o pontífice no cais, antes de abençoar uma cruz azul desbotada feita com madeira de uma embarcação de imigrantes. “Hoje existem monstros que espreitam esses mares: máfias que traficam o desespero, traficantes que escravizam mulheres e crianças, e a indiferença de muitos que permitem que os pobres sejam engolidos pela exploração ou pelo esquecimento”, disse o papa, de 70 anos.

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A Europa, onde os governos endureceram as políticas sob a pressão da extrema direita, “não pode proclamar a dignidade humana e se acostumar com o Mediterrâneo e o Atlântico sendo cemitérios sem lápides”, afirmou.

Leão XIV apontou que a tragédia deve apelar à “consciência” dos países de origem e de trânsito, de onde os migrantes fogem da pobreza e dos conflitos e caem nas mãos de grupos de traficantes.

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