‘Somos todos imigrantes’: a alfinetada do papa Leão em países europeus que fecham fronteiras
Pontífice critica 'indiferença' em relação aos estrangeiros que aportam na Europa durante seu último dia de viagem à Espanha
O papa Leão XIV voltou a fazer uma veemente defesa dos imigrantes nesta sexta-feira, 12, durante um discurso em um centro de acolhimento na ilha de Tenerife, nas Canárias. No último dia de sua viagem à Espanha, que teve grande foco na questão da imigração, o pontífice declarou que “a dignidade humana não tem passaporte” e cutucou governos que, sob a pressão da extrema direita, vêm endurecendo a política de entrada de estrangeiros
“Somos todos, de algum modo, imigrantes”, afirmou. “Todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial. Ajudemo-nos a fazer desta travessia um lugar mais humano para todos”, completou ele em sua intervenção no centro de acolhimento Las Raíces, diante de centenas de imigrantes e voluntários.
Tenerife é uma das ilhas Canárias, no Oceano Atlântico, que se tornaram uma importante porta de entrada para os imigrantes sem documentos que chegam à Espanha e à Europa.
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Leão XIV também deve se reunir com representantes de associações religiosas e laicas que ajudam os migrantes, antes de celebrar uma missa ao ar livre no porto de Santa Cruz de Tenerife para dezenas de milhares de pessoas. De Tenerife, o pontífice retornará para Roma e, durante o voo, deve conversar com os jornalistas.
Críticas abertas
Depois de visitar Madri e Barcelona no início da semana, o papa chegou na quinta-feira a outra ilha do arquipélago, Gran Canaria, onde criticou a “indiferença” em relação aos imigrantes e lançou uma coroa de flores ao mar no porto de Arguineguín em homenagem às milhares de pessoas que morreram ao tentar chegar às ilhas.
Quase 1.200 pessoas morreram ou desapareceram na rota da África às ilhas Canárias no ano passado, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o que a transforma em uma das rotas migratórias mais letais do mundo.
“A dignidade humana não tem passaporte“, afirmou o pontífice no cais, antes de abençoar uma cruz azul desbotada feita com madeira de uma embarcação de imigrantes. “Hoje existem monstros que espreitam esses mares: máfias que traficam o desespero, traficantes que escravizam mulheres e crianças, e a indiferença de muitos que permitem que os pobres sejam engolidos pela exploração ou pelo esquecimento”, disse o papa, de 70 anos.
A Europa, onde os governos endureceram as políticas sob a pressão da extrema direita, “não pode proclamar a dignidade humana e se acostumar com o Mediterrâneo e o Atlântico sendo cemitérios sem lápides”, afirmou.
Leão XIV apontou que a tragédia deve apelar à “consciência” dos países de origem e de trânsito, de onde os migrantes fogem da pobreza e dos conflitos e caem nas mãos de grupos de traficantes.







