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Sombra do passado paira sobre novos líderes da China

Especialistas falam em 'oportunidade perdida' para realização de mudanças políticas, e mesmo o combate à corrupção, deve ficar apenas no discurso

Por Da Redação 15 nov 2012, 14h35

Nesta quinta-feira, foram anunciados os nomes de novos integrantes do Comitê Permanente do Partido Comunista da China, a elite política do país. A estrutura, velha e conservadora, reduz a expectativa por mudanças necessárias para resolver questões urgentes como agitações populares, degradação ambiental e corrupção. Abaixo, a avaliação de alguns veículos da imprensa internacional sobre a transição política e suas apostas.

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leia a reportagem na íntegra, em inglês

O número de assentos permanentes encolheu de nove para sete e incluiu apenas nomes presentes no topo das listas especulativas: Xi Jinping (presidente), Li Keqiang (premiê), Zhang Dejiang, Yu Zhengshen, Liu Yunshan, Wang Qishan e Zhang Gaoli. Dessas sete pessoas, apenas duas pessoas são Tuanpai – membros da Liga da Juventude Comunista, que subiram na hierarquia do Partido Comunista e traziam alguma esperança de mudanças. Cheng lembra, porém, que um deles é muito próximo de Jiang Zemin, o que aumenta ainda mais a diferença de equilíbrio entre o novo e o velho no comitê.

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Para Cheng, a própria escolha de Xi Jinping para presidente foi uma decepção muito grande. Primeiro, porque indica que não houve real disputa dentro do partido, e Xi foi selecionado pelo modo antigo: entre os membros das comissões permanentes, dominadas pelos protegidos de Jiang Zemin. Mas Cheng ainda consegue ver alguns pontos positivos que saem dessa transição de liderança. Uma delas é que Hu Jintao deixou o cargo de presidente da Comissão Militar Central, fazendo com que a sucessão fosse mais institucionalizada e completa. E a mudança de tamanho do conselho permanente (de nove para sete membros) também foi uma mudança positiva, segundo Cheng.

Personalidade – Por outro lado, um artigo de Damian Grammaticas, correspondente da rede BBC internacional (leia o artigo na íntegra, em inglês), descreve a personalidade de Xi de forma mais otimista, mesmo que ele seja filho de um “líder revolucionário”, como grande parte dos membros do partido. Para Grammaticas, Xi tem um estilo mais relaxado, emotivo e educado, em comparação à imagem dura de Hu Jintao. O novo presidente chinês chegou a pedir desculpas por deixar o público esperando – algo impensável para seu antecessor.

Em sua fala, apesar do conteúdo muito similar ao de Hu Jintao, Xi se mostrou mais direto e acessível. “Ele tem mais personalidade. É uma pessoa comum. Tem os pés no chão e é fácil de lidar”, disse à BBC Bo Zhiyue, da Universidade Nacional de Singapura. Claro que a governança vai além do estilo. E, quanto às reformas políticas, é impossível prever o que Xi tem em mente. Mas Grammaticas acredita que, se o novo presidente for capaz de se comunicar com os chineses de uma forma que Hu não conseguiu, pode ganhar espaço com um líder mais autêntico em relação ao partido.

Corrupção – O jornal The New York Times dedicou uma análise ao setor militar da China, ressaltando os problemas relacionados à corrupção e lembrando o caso do general Gu Junshan, vice-diretor do departamento de logística, que aguarda julgamento por suspeita de corrupção (leia o texto na íntegra, em inglês). Ele teria tido enormes lucros em negócios ilegais e cedido a amigos mais de 400 casas destinadas a oficiais reformados.

Apesar de o combate à corrupção ter sido destacado nos discursos de Hu Jintao e de seu sucessor Xi Jinping, um oficial reformado do exército e membro do grupo identificado como herdeiros dos ‘líderes revolucionários’ avalia que a nova liderança chinesa provavelmente vai refrear a campanha contra a corrupção existente no meio militar. “Não haverá uma grande campanha contra a corrupção”, disse o oficial, não identificado pelo jornal. “Você não pode dar atenção demais para isso, caso contrário o partido se torna muito manchado, e os líderes não querem isso”.

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