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Socorristas descartam encontrar sobreviventes sob os escombros no Rio

Brigadas de resgate descartaram nesta sexta-feira a possibilidade de encontrar sobreviventes em meios às ruínas dos três prédios que desmoronaram na noite de quarta no centro histórico do Rio de Janeiro, e de onde foram retirados onze corpos.

“Lamentavelmente, não acreditamos em sobreviventes. Eu preciso dizer que a gente não trabalha mais com a possibilidade de sobreviventes”, disse Sérgio Simões, secretário da Defesa Civil do estado do Rio de Janeiro.

Segundo o funcionário, os onze corpos encontrados até agora estavam “muito machucados”. “Esse cenário mostra para a gente que houve um impacto muito forte da estrutura”, acrescentou.

Os trabalhos de resgate prosseguiam ininterruptamente desde a noite de quarta-feira, quando os três edifícios, de vinte, dez e quatro andares, desmononaram quase que simultaneamente por razões ainda indeterminadas.

Os bombeiros esperam encerrar os trabalhos de busca entre esta noite e a manhã de sábado.

O balanço provisório é de 11 mortos: quatro homens, cinco mulheres e dois ainda não indentificados, informaram os bombeiros à AFP. Sete corpos foram encontrados esta sexta-feira.

As autoridades trabalham, ainda, com uma lista de pelo menos 15 desaparecidos, que varia à medida que novos cadáveres são encontrados.

Segundo Simões, os socorristas chegaram à área onde acreditam que “está a maior quantidade de corpos”, o que os “faz pensar que as pessoas tentaram sair, devido à proximidade com as escadas”.

“Imaginamos que o prédio deu sinais de que ia desmoronar e houve um momento em que as pessoas tentaram sair”, acrescentou.

Doze dos desaparecidos estariam em uma sala de aula no sexto andar do edifício Liberdade onde, no momento do incidente, era ministrado um curso de formação profissional em uma empresa de informática.

Trezentos e noventa homens participam dos trabalhos de resgate, entre eles um contingente que trabalhou no Haiti no terremoto devastador de 2010.

Na Câmara de Vereadores, perto do local da tragédia, familiares continuavam reunidos aguardando notícias de seus entes queridos.

Nesta sexta-feira foram enterrados os corpos de duas vítimas: Celso Cabral, de 46 anos, sepultado em Niterói, e Cornélio Ribeiro Lopes, zelador de 73 anos.

As autoridades ainda não estabeleceram as causas da tragédia, embora a tese que mais ganha força seja a de um problema estrutural. Testemunhas informaram que no prédio mais alto eram feitas reformas em dois dos andares.

“Nenhuma das obras tem registro no CREA”, Conselho Regional de Engenharia do Rio. “A última reforma da que tínhamos registro foi em 2008. Então, estas duas obras, para nós, são irregulares”, disse Luis Antonio Consenza, funcionário do CREA.

O problema estrutural “pode ter sido provocado não por estas obras que estavam sendo feitas agora, mas pela sucessão de obras que vinham sendo feitas (…), que pôde modificar o projeto original”, acrescentou.

Contudo, a prefeitura esclareceu que as obras feitas na parte interna de um edifício não precisam da autorização das autoridades, mas do condomínio. A Polícia Civil e o CREA iniciaram uma investigação para determinar as causas do acidente.

Atualmente, o centro do Rio passa por grandes obras, com vistas à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016.

Esta sexta-feira foi o primeiro dos três dias de luto oficial decretados no Rio, após uma tragédia que fez soar o alarme sobre a infraestrutura antiga e obsoleta da cidade que se prepara para receber os maiores eventos esportivos do planeta.

Em outubro do ano passado, na praça Tiradentes, também no centro do Rio, três pessoas morreram e 17 ficaram feridas em uma explosão provocada pelo vazamento de gás em um restaurante.