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Sociais-democratas aprovam nova aliança alemã liderada por Merkel

Chanceler alemã deve tomar posse para um quarto mandato em meados de março, provavelmente no dia 14

Os membros do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) aprovaram por ampla maioria uma aliança com a chanceler Angela Merkel, que poderá finalmente formar seu governo mais de cinco meses após as eleições legislativas que a enfraqueceram.

Dois terços dos membros do partido votaram “sim” ao acordo, uma margem maior do que muitos esperavam. O resultado significa que Merkel poderá tomar posse para um quarto mandato já no meio de março, em uma repetição da grande coalizão que tem governado desde 2013.

A chanceler comemorou, no domingo, o resultado da votação interna do SPD. “Dou parabéns ao SPD por este claro resultado e me alegro de poder prosseguir com a colaboração para o bem do nosso país”, disse a chanceler através da conta do Twitter da União Democrata-Cristã (CDU), seu partido.

A coalizão entre sociais-democratas e conservadores mantém apenas uma pequena maioria no Parlamento alemão (53,5%), após as eleições gerais de 24 de setembro, marcadas por um avanço histórico da extrema direita (AfD) e uma erosão dos partidos tradicionais, incluindo a CDU/CSU de Merkel.

É neste contexto e depois de semanas de procrastinação que os militantes do SPD aprovaram a renovação da grande coalizão por 66,02% dos votos, em um referendo interno que contou com a participação de 78,4% dos 463.000 membros do SPD, de acordo com os resultados oficiais anunciados esta manhã.

Merkel, que governa a Alemanha há 12 anos, deverá ser oficialmente eleita presidente dos deputados em meados de março, provavelmente no dia 14.

Na eleição de 24 de setembro do ano passado, o partido de Merkel foi vitorioso, mas não obteve maioria absoluta no Parlamento alemão. A tentativa de Merkel de formar um governo com dois partidos menores fracassou em novembro. O líder do SPD, Martin Schulz, inicialmente descartou renovar a coalizão com a chanceler, mas depois mudou de ideia e passou a negociar com os conservadores.

A chanceler de 63 anos nunca foi tão criticada dentro de seu partido, que ela lidera há cerca de duas décadas. Especialmente desde que cedeu ao SPD o ministério das Finanças, pasta tradicional dos conservadores, muito apegados à austeridade fiscal, durante as negociações sobre a coalizão governamental.

Apesar de tudo, a aprovação do acordo é um alívio para a Alemanha. Se o pacto tivesse sido rejeitado pelos sociais-democratas, Merkel ficaria presa entre duas opções desagradáveis: encabeçar um governo minoritário ou enfrentar uma nova eleição.

(Com AFP)