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Sobe para 39 número de mortos em explosão de refinaria

Vítimas são, em sua maioria, seguranças que vigiavam o complexo

Uma explosão na madrugada de sábado na principal refinaria da Venezuela, localizada na região noroeste, deixou até agora 39 mortos, a maioria deles militares que cuidavam da segurança do complexo. Outras dezenas de pessoas ficaram feridas. “Até este momento, a cifra é de 39 compatriotas que estão no necrotério do hospital da previdência social: 18 são membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), 15 são civis, a maioria familiares dos guardas e há seis corpos não identificados”, disse o vice-presidente venezuelano, Elías Jaua.

Mais cedo, o próprio Jaua havia informado 26 mortos, sendo 17 membros da Guarda Nacional, na explosão da maior refinaria do país, localizada no Estado Falcón. A detonação ocorreu aproximadamente a 1h11 local (3h41 de Brasília). A onda expansiva da explosão, provocada por um vazamento de gás, afetou principalmente o complexo habitado por um comando da Guarda Nacional Bolivariana, encarregada da segurança da refinaria, assim como várias instalações vizinhas, explicou Jaua, em declarações ao canal oficial VTV.

“Foi uma explosão na área de armazenamento, produto de um vazamento de gás que, pelas condições climáticas que reinavam, ficou acumulado na área e, diante de uma fonte de ignição, explodiu”, detalhou, por sua vez, Ramírez, depois de fazer um reconhecimento das instalações. O acidente levou a um incêndio em várias áreas da refinaria, mas o fogo foi controlado, segundo ainda Ramírez, explicando que a enorme fumaça negra que persiste sobre o complexo se deve a alguns resíduos de hidrocarbonetos nos tanques e que é preciso esperar até que se consumam por completo. “Temos conhecimento de que existem muitas famílias afetadas, que estão fora de suas casas, que foram evacuadas ou que assumiram elas mesmas a evacuação. Vamos executar o plano de assistência para elas”, afirmou o número dois do governo.

Redondezas – A refinaria se encontra numa zona residencial e com comércios, onde moram trabalhadores do complexo com seus familiares, assim como famílias pobres que se instalaram nas áreas periféricas. Segundo a governadora de Falcón, Stella Lugo, ao menos “200 residências foram afetadas” pela explosão e o posterior incêndio. O governo já criou abrigos para receber os evacuados.

A ministra da Saúde, Eugenia Sader, revelou que alguns feridos continuam internados e estão sob observação, outros foram transferidos para uma unidade de queimados num hospital do estado vizinho de Zulia e 75 foram liberados porque só tinham queimaduras leves. O presidente Hugo Chávez decretou três dias de luto nacional em função da tragédia. “Decidi decretar um luto nacional de três dias porque isso afeta a todos nós, a grande família venezuelana, civil e militar”, declarou Chávez, em uma ligação feita aos membros de seu gabinete presentes no local dos fatos.

Chávez também transmitiu seu pesar aos familiares dos falecidos e fez um apelo para que a população fique “alerta e calma porque, em meio à tragédia, o perigo maior foi controlado”. “Ordenei uma investigação profunda sobre estes fatos e sobre suas causas. É preciso determinar causas, efeitos e tomar decisões que precisarem ser tomadas”, acrescentou.

Cerca de 80 bombeiros especializados da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) continuam posicionados no lugar. Depois da explosão, foi realizada uma parada programada da atividades do complexo, que deve voltar a funcionar dentro de dois dias, afirmou o ministro do setor. Ramírez disse ainda que existem hidrocarbonetos suficientes armazenados para garantir o abastecimento do mercado interno.

Petróleo – A refinaria de Amuay, que faz parte do Centro de Refinamento Paraguaná, e a maior deste país petroleiro e processa 645.000 barris de petróleo por dia. Segundo o site da PDVSA, o Centro de Refinamento de Paraguaná cobre mais de 60% da demanda de combustível da Venezuela.

A Venezuela – primeiro produtor de petróleo na América do Sul e quinto exportador mundial – produz em média três milhões de barris diários (mbd), segundo dados oficiais, apesar de a Opep afirmar que a oferta de petróleo do país é de 2,3 mbd. A Opep certificou em 2011 que a Venezuela tem as maiores reservas mundiais de petróleo, com 296,5 bilhões de barris, acima das da Arábia Saudita, o país com maior capacidade de refino. Em março passado, as autoridades venezuelanas informaram que esta cifra aumentou para 297,57 bilhões de barris.

(Com agência France-Presse)