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Sob protestos, Turquia começa a julgar acusados de golpe

Mais de 270 pessoas são acusadas de tentar derrubar governo de Erdogan

Por Da Redação - 5 ago 2013, 09h25

A Turquia começou a julgar nesta segunda-feira 275 pessoas acusadas de tentar promover um “golpe de estado” contra o governo de Recep Tayyip Erdogan. Dezenas de acusados, incluindo generais, jornalistas e deputados da oposição da chamada “rede Ergenekon” estão detidos desde 2007.

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As sentenças emitidas até agora chegam a 47 anos de prisão, enquanto 21 pessoas foram liberadas. Os veredictos são lidos um a um no tribunal de Silivri, 50 quilômetros ao oeste de Istambul, construído especialmente para esse julgamento. Cerca de 200 pessoas se reuniram diante do tribunal para protestar contra o julgamento.

Entre os 275 processados, incluindo 66 detidos, está o general Ilker Basbug, ex-comandante do Estado-Maior que dirigiu o exército turco entre 2008 e 2010. Basbug denunciou no domingo no Twitter a proibição de que seus parentes compareçam ao processo. A acusação pede duras penas contra os chamados golpistas, incluindo a prisão perpétua para 64 acusados de “tentativa de derrubar a ordem pela força” – entre eles, Basbug.

Operação – O caso começou em junho de 2007 durante uma operação antiterrorista em um bairro humilde de Istambul, na primeira etapa de uma longa investigação que levou à redação de 23 atas de acusação sucessivas reunidas finalmente em um mesmo processo. O julgamento foi atrasado em abril deste ano devido à onda de protestos contra o governo.

A oposição laica denuncia o processo como uma “caça às bruxas” com o objetivo de calar as críticas ao governo de Erdogan, do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). O caso é visto como um termômetro para mostrar o tratamento do primeiro-ministro a oponentes militares e secularistas.

Desde que Erdogan chegou ao poder, em 2002, centenas de militares foram presos. Segundo a rede BBC, o Exército se vê como um defensor da Constituição Secularista da Turquia, enquanto o governo de Erdogan é acusado de tentar “islamizar o país”.

(Com agência France-Presse)

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