Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Sob protesto, Ruanda entra para o Conselho de Segurança

ONU acusa país de ajudar forças rebeldes na República Democrática do Congo

Ruanda foi eleita nesta quinta-feira para ocupar um assento temporário no Conselho de Segurança das Nações Unidas durante o período de dois anos, entre 2013 e 2014, após uma votação na Assembleia Geral da ONU – pela qual também foram selecionados Argentina, Austrália, Luxemburgo e Coreia do Sul.

A escolha de Ruanda, no entanto, ocorreu em meio a acusações de que seu ministro da Defesa, James Kabarebe, comandou, junto com Uganda, uma rebelião no leste da República Democrática do Congo, ajudando rebeldes na luta contra as forças do governo congolês – um conflito que já dura seis meses e que já teve até mesmo enfrentamento de rebeldes contra forças de paz das Nações Unidas – a ONU mantém, na fronteira com Ruanda, a Missão de Estabilização da República Democrática do Congo. Ruanda e Uganda negam as acusações.

Um recente relatório organizado pela própria ONU trata do problema. No documento, um grupo de especialistas do Conselho de Segurança constata que Ruanda e Uganda apoiam os rebeldes do M23, grupo formado há apenas seis meses por desertores do exército leais ao general Bosco Ntaganda. O general é procurado por ter cometido crimes de guerra e a pressão sobre o governo congolês para prendê-lo aumentou depois que um de seus ex-colegas foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional por recrutar crianças-soldados. Ntaganda é da etnia tutsi, como a maioria das lideranças de Ruanda.

Saiba mais:

Soldados congoleses fogem para Uganda após conflitos

Histórico – O leste da República Democrática do Congo, rico em minerais, enfrenta graves conflitos desde 1994, quando mais de 1 milhão de hutus ruandeses atravessaram a fronteira após o genocídio. Cerca de 800.000 pessoas, a maioria tutsis, foram assassinados pelo regime hutu.

Ruanda invadiu duas vezes o vizinho, em 1996 e 1998, com a desculpa de que tentava tomar medidas contra os rebeldes hutus baseados na República Democrática do Congo. Uganda também enviou tropas ao país durante a II Guerra do Congo, entre 1997 e 2003. A luta armada em curso é liderada por combatentes do ex-grupo rebelde CNDP, do general Ntaganda, que foi integrado ao Exército nacional congolês em 2009 como parte de um acordo de paz.

Leia também: Nunca imaginei conseguir perdoar quem tentou me matar’, diz sobrevivente do genocídio de Ruanda

Cadeiras – Todos os anos, o Conselho de Segurança renova cinco de suas dez cadeiras rotativas. Além de Ruanda, Argentina, Austrália, Luxemburgo e Coreia do Sul obtiveram maioria de dois terços na votação desta quinta e vão assumir seus postos em 1º de janeiro de 2013.

Os países eleitos hoje irão substituir Colômbia, Alemanha, Índia, Portugal e África do Sul. Os outros cinco membros não permanentes são Azerbaijão, Guatemala, Marrocos, Paquistão e Togo, cujos mandatos terminarão em 2013. A última vez que o Brasil ocupou uma cadeira no organismo foi entre 2010 e 2011. Os membros permanentes com direito a veto no conselho são Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França.

Leia mais:

‘A mulher estuprada não mantém os olhos na sua direção’, diz ativista congolesa

‘Quando fugimos, não podemos carregar comida ou roupas’, contam vítimas

(Com Agência Estado e France-Presse)