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Sob guerras, sanções e ameaças de Trump, cúpula da Otan começa nesta terça-feira

Reunião da principal aliança militar ocidental ocorre em Ancara, capital da Turquia, em um pano de fundo de tensões

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 10h49 | Atualizado em 8 jul 2026, 14h04
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O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, anunciou nesta terça-feira, 7, uma leva de contratos de armamentos em meio à pressão dos Estados Unidos para que a Europa aumente os gastos em defesa. A movimentação ocorre no primeiro dia da reunião de dois dias da cúpula da Otan, principal aliança militar ocidental, que ocorre em Ancara, capital da Turquia, em um pano de fundo de tensões.

“Não temos o luxo do tempo. Precisamos de recursos agora para garantir que permaneçamos preparados. A situação de segurança exige isso”, disse ele, enquanto os valores dos pacotes apareciam numa tela durante um fórum da indústria de defesa em Ancara. “O zumbido das máquinas precisa se transformar em um rugido.”

Rutte também apelou por uma “revolução” no setor de defesa europeu frente aos altos gastos militares da Rússia, China, Coreia do Norte e Irã. Entre os acordos firmados, está a compra de drones de vigilância da empresa americana Northrop Grumman por países da Europa e compras de aviões da sueca Saab pela Otan. O secretário-geral também adiantou que aliados da aliança investirão mais de US$ 40 bilhões (mais de R$ 206 bilhões) nos próximos cinco anos para impulsionar suas capacidades antidrone.

O flanco leste da Otan tem sido alvo de recorrentes incursões de drones atrelados à Rússia, reflexo da intensificação de ofensivas aéreas na guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Nos últimos meses, Romênia (onde um prédio residencial foi atingido e duas pessoas ficaram feridas), Finlândia, Letônia, Lituânia e Estônia tiveram seus espaços aéreos violados pelos dispositivos.

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Críticas de Trump

O chefe da Otan também salientou que o investimento é realizado após o incentivo “extremamente enérgico” do presidente dos EUA, Donald Trump, que há muito acusa a Europa de depender da defesa americana. Os desentendimentos aumentaram após a eclosão da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, com críticas constantes do republicano a países da Otan. Em março, ele chamou os membros da organização de “covardes” por não atenderem ao seu apelo de ajuda militar contra o regime iraniano 

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Além disso, o ocupante do Salão Oval advertiu ao jornal britânico Financial Times que a Otan enfrentaria um “futuro muito ruim” caso não ajudasse a desobstruir o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio internacional de petróleo bloqueada pelo Irã. Mais tarde, em outra declaração, Trump classificando as recusas como “um erro muito estúpido” e afirmando que os EUA se lembrariam disso no futuro.

E não parou por aí. Na última sexta-feira, 3, Trump renovou as críticas à Otan em uma publicação na Truth Social, rede social da qual é dono. Através de um gráfico, ele comparou o gasto de US$ 999 bilhões (cerca de 5,1 trilhões) dos Estados Unidos em defesa com outros menores de países como Reino Unido e França. “É ridículo que os EUA continuem seguindo esse caminho unilateral quando a relação não é recíproca”, escreveu o republicano, que já ameaçou anteriormente deixar a Otan.

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No mês passado, o governo americano anunciou que planeja reduzir o número de tropas e equipamentos enviados para a Europa, diminuindo em um terço o número de caças F-15 e F-16, em uma tentativa de forçar o continente a assumir em maior medida os custos do conflito contra a Rússia. Às sombras das guerras e pressionada pelo imprevisível Trump, a cúpula da Otan expõe as rachaduras da aliança.

 

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