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Sob aplausos de Cristina, emissora pró-Kremlin chega à Argentina

Transmissão da RT no país “vai permitir que argentinos conheçam a verdadeira Rússia”, disse a presidente no lançamento, junto com Putin

Por Da Redação 9 out 2014, 19h15

O presidente russo Vladimir Putin pode estar cada vez mais isolado devido às sanções contra a Rússia em resposta à invasão da Ucrânia, mas em alguns países seu regime ainda é bem-vindo. A Argentina de Cristina Kirchner é um deles, como demonstrou nesta quinta-feira o lançamento do serviço em espanhol do canal estatal russo RT (Russia Today).

O anúncio foi feito com pompa, por meio de uma videoconferência entre Cristina e Putin. A mandatária disse que o canal “vai aprofundar os laços de amizade, o conhecimento e irmandade entre a Argentina e a Federação Russa” e permitir que “todos os argentinos possam conhecer a verdadeira Rússia e todos os russos possam conhecer a verdadeira Argentina, não a que nos querem mostrar alguns meios internacionais e nacionais”. “Precisamos ter acesso direto à informação, sem intermediários que queiram nos mostrar as coisas de maneira diferente”, acrescentou.

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Putin, que comanda um regime no qual a oposição política é sufocada e a imprensa, controlada, também não economizou no cinismo ao afirmar que o “direito à informação é tão inalienável como os mais importantes direitos humanos”. “O desenvolvimento veloz dos meios de comunicação eletrônicos permitem também manipular a consciência social. As guerras da informação, com tentativas de atores internacionais de estabelecer o monopólio da verdade, caracterizam o tempo atual”, disse. “Nestas condições, são especialmente reclamadas fontes de informação alternativas”.

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Cristina e Putin não especificaram qual a “verdadeira Rússia” que vai aparecer na programação da RT, que transmite uma mistura de noticiários, talk shows e documentários e possui ainda serviços em inglês e árabe.

Recentemente, o canal russo se notabilizou pela cobertura e paranoica de temas internacionais, além do tom totalmente pró-Kremlin. No início da crise ucraniana, por exemplo, a emissora pintava os manifestantes pró-Europa que tomaram as ruas de Kiev como nazistas.

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Também transmitiu todo o tipo de teoria conspiratória para afastar as acusações de envolvimento da Rússia na derrubada de um avião de passageiros no leste da Ucrânia. Uma delas afirmava que o alvo do míssil que foi disparado era a aeronave que levava Putin de volta à Rússia, depois de uma visita ao Brasil. Por alguns desses episódios de manipulação, duas jornalistas do serviço em inglês da RT pediram demissão, uma delas durante uma transmissão ao vivo.

A RT é distribuída em mais de 100 países, entre eles nações da Europa e dos EUA, por meio da TV a cabo, onde é incluída, graças ao dinheiro do Kremlin, em pacotes básicos de assinatura. Na Argentina, o canal vai ser transmitido por meio da Television Digital Abierta, um sistema de transmissão gratuito criado pelo governo em 2010. O sistema conta com 82 estações digitais de transmissão pelo país e concorre com as operadoras de TV a cabo privadas, entre elas empresas que fazem oposição à Casa Rosada.

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