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Snowden diz que foi treinado pela NSA para ser um espião

À NBC News, o ex-analista declarou que os EUA têm tentado diminuir a sua posição na agência. Kerry reagiu dizendo que Snowden está sendo covarde

Por Da Redação 28 Maio 2014, 15h27

Responsável por vazar os documentos secretos que tornaram pública a rede de espionagem mantida pelos Estados Unidos contra chefes de Estado e até seus próprios cidadãos, Edward Snowden disse que o governo americano tem tentado diminuir a posição que ele ocupava na Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês). Em uma entrevista à rede NBC News, ele afirmou que não trabalhava como um mero analista de informação, mas, sim, como um espião. “Eu fui treinado como um espião no sentido mais tradicional da palavra. Eu vivi e trabalhei disfarçado fora do país – fingindo trabalhar em um emprego que não era o meu – e até me foi atribuído um nome que não era meu”, declarou Snowden, em uma conversa na capital russa Moscou, onde está exilado.

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Snowden foi tratado pela NSA como um “analista de infraestrutura” que trabalhava no Havaí antes de fugir para Hong Kong e vazar os arquivos secretos ao jornalista Glenn Greenwald. A agência alega que ele procurava falhas a serem corrigidas nos sistemas internacionais de telefone e internet. A NSA não se pronunciou até o momento sobre as declarações de Snowden. “Eles estão tentando usar um cargo que exerci em minha carreira para tirar o foco da totalidade da minha experiência”, afirmou o ex-analista, ressaltando que seus encargos como espião eram muito diferentes da visão que as pessoas têm da profissão.

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“Eu sou um especialista técnico, um técnico experiente. Não trabalho com pessoas, não recruto agentes. O que eu faço é colocar sistemas para trabalharem em favor dos Estados Unidos. E eu fiz isso em todos os níveis, desde as categorias mais baixas até a mais alta. Agora, o governo pode querer negar essas coisas, eles podem querer moldar isso de outras formas e dizer: ‘Ele é só um analista com um cargo pouco importante'”, acrescentou. Antes de ser analista na NSA, Snowden foi funcionário da CIA (a agência de inteligência americana) e morou entre 2007 e 2010 em Genebra, operando em sigilo, com credenciais diplomáticas.

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Embora esteja programada para ser exibida nesta quarta-feira à noite, a entrevista de Snowden já provocou respostas oficiais dos Estados Unidos. Ao explicar por que está exilado em Moscou, Snowden afirmou: “A realidade é que eu nunca quis acabar na Rússia. Eu tinha um voo programado para Cuba, onde eu faria uma escala rumo à América Latina, mas fui impedido de viajar após os Estados Unidos cancelarem o meu passaporte e me prenderem no aeroporto de Moscou. Quando as pessoas me perguntam por que eu estou na Rússia, eu digo: ‘Por favor, pergunte ao Departamento de Estado'”, declarou.

O secretário de Estado John Kerry respondeu às alegações de Snowden e disse que ele está agindo covardemente. “Para alguém que parece ser inteligente, esta foi uma resposta muito estúpida, francamente. Ele pode voltar para casa, mas ele é um fugitivo da Justiça. Este motivo o impede de voar pelo mundo. É simples assim”, afirmou Kerry. “A questão é que este homem traiu o seu país e está lá na Rússia, um país autoritário, onde ele pediu refúgio. Ele deveria ser homem de verdade e voltar aos Estados Unidos se quer criticar o sistema de segurança americano. Volte para cá e defenda suas opiniões diante de nosso sistema de Justiça. Ele, no entanto, está lá sentado criticando o seu país e violando a responsabilidade que assumiu quando aceitou o emprego em que ele costumava trabalhar”.

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