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Snowden afirma ter pedido asilo ao Brasil oficialmente

Em entrevista ao 'Fantástico', ex-analista da agência de segurança dos EUA contou como é a vida de exilado em Moscou, onde vive há cerca de dez meses

Morando há dez meses em Moscou, Edward Snowden garante que está feliz e tem uma vida “surpreendentemente aberta”. Mas a capital russa não era a primeira opção de asilo, quando o ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, em inglês) se viu obrigado a deixar seu país depois de delatar o programa de espionagem global do governo. Em entrevista concedida ao Fantástico deste domingo, Snowden disse que seu destino inicial sempre foi a América do Sul e afirmou que chegou a pedir oficialmente asilo ao Brasil – informação negada pela presidente Dilma Rousseff. “A nós, não foi encaminhado nada”, garantiu ela, à época.

“Nunca escolhi ficar na Rússia (onde desceu para uma escala a caminho do Equador). Nos 40 dias em que fiquei preso no aeroporto de Moscou, porque meu passaporte havia sido cancelado, enviei pedidos formais de asilo a vários países. O Brasil era um deles”, revelou ele à jornalista Sonia Bridi. Ao saber que o governo brasileiro negou ter recebido sua solicitação, o americano se mostrou surpreso. “Só se não cumpri com todas as exigências do processo”, disse, ainda esperançoso por uma resposta afirmativa. “Adoraria morar no Brasil”, contou ele, que no início da entrevista arriscou um “oi, tudo bem?” em português.

No fim do ano passado, o jornal Folha de S. Paulo já havia revelado a intenção do ex-analista de trocar a Rússia pelo Brasil. Em uma “carta aberta ao povo brasileiro”, escrita em inglês, Snowden insinuou que poderia colaborar com investigações das ações de espionagem no Brasil, como uma troca de favores. “Muitos senadores brasileiros pediram minha ajuda com suas investigações sobre suspeita de crimes contra cidadãos brasileiros. Expressei minha disposição de auxiliar, quando isso for apropriado e legal, mas infelizmente o governo dos EUA vem trabalhando de maneira árdua para limitar minha capacidade de fazê-lo”, declarou.

O local exato onde Snowden vive em Moscou, nem os amigos próximos sabem. Ele garante que anda nas ruas normalmente, mas se recusou a responder se usa algum tipo de disfarce. “Não é tão ruim quanto parece. Discordo fortemente de algumas coisas do governo, como a censura à imprensa e o controle da internet, mas é melhor do que a prisão.” Após um momento de silêncio, disse que não se arrepende de ter divulgado informações sigilosas que trouxeram à tona o esquema de espionagem do governo americano. E adiantou que há novos documentos que comprovem a ação dos Estados Unidos no Brasil, na Grã-Bretanha e em outros países.

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Esta semana, Snowden já havia concedido uma entrevista. À rede NBC News, na quarta-feira, ele rebateu a tentativa do governo americano de diminuir a posição que ocupava na NSA, e afirmou que não trabalhava como um mero analista de informação: “Fui treinado como um espião, no sentido mais tradicional da palavra. Vivi e trabalhei disfarçado fora do país – fingindo trabalhar em um emprego que não era o meu. Até me foi atribuído um nome que não era meu”.

Na conversa, ocorrida na capital russa Moscou, onde está exilado, Snowden disse ter sido foi tratado pela NSA como um “analista de infraestrutura” que trabalhava no Havaí antes de fugir para Hong Kong e vazar os arquivos secretos ao jornalista Glenn Greenwald. A agência alega que ele procurava falhas a serem corrigidas nos sistemas internacionais de telefone e internet. “Eles estão tentando usar um cargo que exerci em minha carreira para tirar o foco da totalidade da minha experiência”, retrucou.

O ex-analista ressaltou ainda que seus encargos como espião eram muito diferentes da visão que se tem da profissão. “Sou um técnico experiente. Não trabalho com pessoas, não recruto agentes. O que eu faço é colocar sistemas para trabalharem em favor dos Estados Unidos. E eu fiz isso em todos os níveis, desde as categorias mais baixas até a mais alta.” Antes de ser analista na NSA, Snowden foi funcionário da CIA (a agência de inteligência americana) e morou entre 2007 e 2010 em Genebra, operando em sigilo.

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