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Sírios lembram horror de Hama enquanto Rússia resiste na ONU

Por Joseph Eid 3 fev 2012, 13h52

Manifestantes tomaram nesta sexta-feira as principais cidades sírias desafiando a repressão brutal do governo para lembrar o notório massacre de 1982 na cidade de Hama, que matou milhares.

Pelo menos 17 pessoas foram mortas nesta sexta-feira, ao mesmo tempo em que a Rússia, aliada de longa data da Síria, se negou a aprovar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, proposta pela Liga Árabe para facilitar a transição democrática no país.

Com o lema “Hama, nos perdoe”, oponentes do regime pediram aos manifestantes para usar preto e marchar em homenagem às 10 mil a 40 mil pessoas que morreram no massacre ordenado por Hafez, pai do presidente Bashar al-Assad. Milhares de manifestantes foram às ruas em Hama, Idlib, no norte, Daraa, ao sul e em Damasco.

“Hafez está morto, Hama não! Bashar vai morrer e a Síria não!” diziam cartazes carregados por manifestantes no distrito de Al-Kidam, em Damasco, de acordo com um vídeo postado na internet pelos militantes. “A punição coletiva não vai funcionar dessa vez!”, podia ser lido em outro.

Manifestantes surgiram do meio dos fiéis no porto de Latakia onde as forças de segurança abriu fogo para dispersá-los, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, relatando uma manifestação similar em Yabrod em Damasco.

Também houve manifestações em memória das vítimas de Hama na quinta-feira, enquanto países árabes e ocidentais buscavam um acordo sobre um plano de resolução da ONU para pressionar a Síria para acabar com a repressão aos dissidentes de quase 11 meses.

O último texto sendo avaliado pelos membros do Conselho de Segurança da ONU não pede explicitamente para Assad renunciar nem menciona embargo de armas ou sanções, mas “apoia inteiramente” um plano da Liga Árabe para facilitar a transição democrática. Diplomatas disseram na quinta-feira que o novo projeto levou em conta as preocupaçõs de Moscou, aliado fiel de Damasco.

No entanto, o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Guennadi Gatilov, declarou nesta sexta-feira que a Rússia não pode apoiar o novo projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU como está.

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“Recebemos (o projeto marroquino de resolução). Foram levadas em conta algumas de nossas preocupações, mas não é suficiente para que possamos apoiá-lo tal como está”, declarou Gatilov, citado pela agência Interfax. Gatilov acrescentou que não está previsto que esse texto seja votado nos próximos dias.

Pelo menos 17 pessoas foram mortas na Síria nesta sexta-feira, incluindo oito soldados, disseram ativistas. Em um bairro central de Hama de Junub al-Malaab, forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes, matando pelo menos e ferindo mais três, disse o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

O Observatório relatou mais dois mortos pelas forças de segurança na província Daraya em Damasco e disse que pelo menos outras cinco pessoas morreram – entre eles duas crianças – pelo país.

O grupo com sede britânica disse que oito soldados foram mortos em confrontos no sul de Daraa com combatentes do Exército Livre da Síria (FSA), composto por desertores e simpatizantes. Outro soldado foi morto no lugarejo de Jasem, também na província de Daraa.

A violência na Síria matou pelo menos 6 mil pessoas desde o começo dos protestos, em março, segundo estimativas de grupos de defesa dos direitos humanos. A repressão implacável e o número de mortos cada vez maior não detiveram os manifestantes. Os protestos continuam quase diariamente e, nas últimas semanas, chegaram às portas de Damasco.

O Human Rights Watch (HRW) disse em um relatório publicado nesta sexta-feira que crianças com idades a partir de 13 anos são um alvo particular no uso “excessivo” de tortura por forças do governo no combate às forças de oposição.

Enquanto a ONU diz que centenas de crianças foram mortas na repressão, o HRW destacou casos de crianças baleadas em suas casas, nas ruas ou capturadas em escolas.

O grupo documentou 12 casos de crianças sendo torturadas em centros de detenção e disse que muitas outras sofreram tratamento semelhante. “Em muitos casos, as forças de segurança visam às crianças assim como fazem com adultos”, disse Lois Whitman, diretor do direito das crianças da organização com sede em Nova York.

“Crianças, algumas com 13 anos, contaram ao Human Rights Watch que oficiais as mantiveram em regime de solitária, as agrediram gravemente, as eletrocutaram, as queimaram com cigarros e as deixaram penduradas por algemas por horas, centímetros acima do chão”, disse o relatório.

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