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Síria se diz disposta a cooperar com investigações sobre armas químicas

Segundo jornal libanês, o ditador Bashar Assad agradeceu o apoio da organização terrorista libanesa Hezbollah. O líder do grupo disse que a Síria está enviando armas para seus membros

Por Da Redação 9 Maio 2013, 17h27

O governo da Síria anunciou nesta quinta-feira que está disposto a receber imediatamente a comissão de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o uso de armas químicas no país. Em entrevista à agência AFP, o vice-ministro das Relações Exteriores sírio, Faisal Moqdad, disse que a delegação pode entrar em território sírio para investigar o ataque ocorrido em Khan al-Assal, província de Aleppo, que deixou 15 mortos e mais de 80 feridos.

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Nos últimos meses, as denúncias relacionadas ao uso desse tipo de armamento na guerra civil síria se multiplicaram, tanto por parte dos grupos opositores armados como pelo regime de Assad. Por isso, o governo sírio convidou à ONU a enviar uma equipe de especialista para averiguar as denúncias, mas ainda não havia permitido sua entrada no país devido à decisão do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de também levar em consideração as acusações dos rebeldes.

No início desta semana, a promotora suíça Carla del Ponte, integrante da comissão da ONU designada para o assunto, disse que há fortes indícios de que grupos rebeldes sírios que se opõem ao ditador Bashar Assad são os responsáveis pelo uso das armas químicas, especificamente o gás sarin. A substância é extremamente tóxica e considerada uma arma de destruição em massa. Del Ponte não apresentou mais detalhes sobre as informações recolhidas e disse que, apesar das fortes suspeitas, ainda não há provas incontestáveis.

Hezbollah – O jornal libanês Al-Akhbar publicou nesta quinta-feira que a Síria oferecerá tudo ao movimento xiita libanês Hezbollah em agradecimento ao apoio dado ao regime. A publicação afirma que as declarações foram dadas pelo ditador Bashar Assad durante um encontro com personalidades libanesas que apoiam o regime.

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“Pela primeira vez, sentimentos que eles e nós vivemos a mesma situação e que eles não são apenas aliados”, teria dito Assad, que completou expressando sua “confiança, satisfação e profunda gratidão” à organização terrorista libanesa.

Nesta quinta, o líder do movimento, Hassan Nasrallah, afirmou à rede de TV Al Manar que receberá da Síria novos tipos de armamentos para atacar Israel. As forças israelenses realizaram dois ataques a localidades próximas a Damasco, capital síria, alegando tentar impedir que a Síria enviassse mísseis iranianos para o grupo xiita libanês.

Conferência Internacional – O regime sírio também felicitou nesta quinta-feira a proposta de criação de uma conferência internacional apresentada por Estados Unidos e Rússia para solucionar o conflito que já dura mais de dois anos no país. Para o Ministério das Relações Exteriores, “apenas o povo sírio decidirá seu futuro e (qual será) o sistema constitucional de seu país, sem nenhuma interferência estrangeira”.

No entanto, o secretário de Estado americano, John Kerry, voltou a ressaltar que o ditador Bashar Assad não poderá fazer parte de um futuro governo de transição, proposto pela conferência, e deve abandonar o cargo. A posição de Kerry é defendida pela Coalizão Nacional Síria (CNFRO), principal grupo de oposição ao regime. A organização acredita que qualquer solução política para o conflito deve começar com a renúncia do ditador.

(Com agências AFP e Reuters)

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