Clique e assine com até 92% de desconto

Síria: número de refugiados supera 1,5 milhão, diz ONU

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, o número de mortos no conflito já passou dos 94.000

Por Da Redação 17 Maio 2013, 09h24

Os últimos quatro meses de conflito na Síria registraram a maior taxa de pessoas deixando o país em busca de segurança em nações vizinhas, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR, na sigla em inglês). Em apenas dez semanas, o número de refugiados passou de um para de 1,5 milhão.

“Os refugiados nos dizem que o aumento das lutas e as mudanças de controle das cidades e vilas, em particular nas áreas em conflito, resultam em cada vez mais civis decidindo deixar o país. Nos últimos quatro meses, nós vimos uma rápida deterioração quando se compara com os primeiros 20 meses de conflito”, disse Panos Moumtzis, coordenador regional do órgão, segundo a rede britânica BBC. Se o número de pessoas que fogem do conflito continuar crescendo nesse ritmo a cada dez semanas, haverá mais de 3,5 milhões de refugiados – cerca de 15% da população – em refúgio até o fim do ano.

Saiba mais:

Obama e Cameron prometem manter ajuda à oposição síria

Ministro sírio culpa ‘assassino’ Erdogan por atentados

Continua após a publicidade

Moumtzis explicou que a gravidade da guerra pode significar que essa cifra seja ainda maior. “O fato de agora nós termos passado de 1,5 milhão de pessoas – entre elas as registradas ou aquelas que esperam o registro – significa que o número atual é ainda maior na realidade. Há cada vez mais um buraco entre as necessidades e os recursos disponíveis”, disse Moumtzir. Em março, quando o número de refugiados atingiu a marca de um milhão pela primeira vez, o UNHCR já havia alertado que a crise estava se encaminhando para “o desastre em larga escala”.

Segundo ativistas, um dos motivos para os números não serem ainda maiores é que os países vizinhos, como a Turquia e a Jordânia, estão bloqueando ilegalmente a entrada de dezenas de milhares de pessoas. “Todas essas pessoas têm o direito de não ser forçadas a voltar a situações que ameaçam suas vidas”, disse, Gerry Simpson, o diretor do programa de refugiados do Humam Rights Watch. Segundo ele, o fechamento parcial das fronteiras turcas significa que cerca de 50.000 sírios estão presos na Síria. “A Jordânia e a Turquia estão jogando roleta russa com a vida de dezenas de milhares de vidas”, disse Simpson.

Atualmente, 10% da população que vive na Jordânia é formada por refugiados sírios e o campo de refugiados Za’atati é a quinta maior cidade do país.

Mortos – Além do número de refugiados, o número de mortos também está crescendo. Na terça-feira, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) disse que a contagem de vítimas fatais já ultrapassou a marca de 94.000 pessoas. A cifra, no entanto, pode estar próxima dos 120.000, uma vez que a organização recebe informações divergentes das regiões alauítas, minoria religiosa à qual o ditador Bashar Assad pertence.

“Acreditamos que o número real de mortos de ambos os lados é acima de 120 mil, pois ambos os lados estão sendo discretos em relação às suas baixas”, disse Rami Abdulrahman, dirigente do OSDH.

Continua após a publicidade
Publicidade