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Síria: ‘massacre’ de dezenas de mulheres e crianças em Homs

Cerca de 50 corpos carbonizados de mulheres e de crianças degoladas ou esfaqueadas foram encontrados em Homs, centro da Síria, em um “massacre” atribuído por militantes às forças do governo e pela televisão oficial a “grupos terroristas”.

A oposição pediu uma “intervenção militar internacional e árabe urgente”, enquanto no Conselho de Segurança da ONU, os chefes da diplomacia dos Estados Unidos e da Europa, de um lado, e da Rússia, de outro, continuam a divergir sobre a situação na Síria.

Fotos e vídeos divulgados por militantes sírios mostram crianças com as cabeças ensanguentadas e os rostos mutilados, assim como corpos completamente carbonizados, degolados ou esfaqueados em um dos principais redutos da oposição ocupado em 70% pelo exército após violentos ataques.

“Os corpos de pelo menos 26 crianças e 21 mulheres foram encontrados nos bairros de Karm al-Zeitoun e de Al-Adawiyé, incluindo alguns degolados, outros esfaqueados, pelos chabbiha”, as milícias pró-regime que participam da repressão ao lado do Exército, disse à AFP o militante Hadi Abdallah.

“Algumas mulheres foram violentadas antes de serem mortas”, acrescentou esse membro da Comissão Geral da Revolução Síria.

Centenas de famílias fugiram depois, principalmente de Karm al-Zeitoun “por medo de novos massacres”, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), cerca de 2.000 refugiados sírios chegaram ao Líbano em uma semana fugindo da repressão do regime sírio, principalmente na região de Homs.

Os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que organizam a mobilização contra o regime do presidente Bashar al-Assad em território sírio, pediram uma jornada de luto na terça-feira em toda a Síria, com o fechamento de lojas, escolas, universidade e estradas.

Mas o ministro sírio da Informação acusou “grupos terroristas” de ter praticado o massacre “com o objetivo de suscitar reações internacionais contra a Síria”. Ele acusou a Arábia Saudita e o Qatar, países que criticam Damasco, de serem “cúmplices” dessas “gangues”.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal formação opositora, pediu em um comunicado “uma intervenção militar internacional e árabe urgente”, o estabelecimento “de uma zona de exclusão aérea” e “ataques” contra o aparato militar do regime sírio.

Em Nova York, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, fez um pedido implícito a China e Rússia para que mudem de posição sobre a Síria, apelando a “todas as nações” para que apoiem o plano da Liga Árabe para solucionar a crise.

As autoridades sírias “devem responder por seus atos na justiça” internacional, considerou o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé.

Mas seu colega russo, Serguei Lavrov, considerou que as sanções unilaterais, as tentativas de favorecer uma “mudança de regime” em Damasco e os estímulos dados à oposição armada constituem “receitas arriscadas de engenharia geopolítica que apenas causam a extensão do conflito”.

Desde o início da crise há um ano e, apesar de mais de 8.500 mortos, segundo uma ONG síria, o Conselho de Segurança tem sido incapaz de chegar a um acordo sobre uma resolução condenando a repressão.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que o presidente Assad aja “nos próximos dias” para responder às propostas do emissário das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, para pôr fim à violência.

Annan deixou Damasco no domingo ao final de uma visita de dois dias depois de ter apresentado a Assad uma “série de propostas concretas” para acabar com o banho de sangue.

“A morte de civis deve cessar agora”, declarou Annan em Ancara nesta segunda-feira, cuja missão em Damasco não terminou com resultados tangíveis.

Enquanto isso, o Exército sírio retomou seus bombardeios nos bairros rebeldes de Idleb (noroeste) que ainda não estão sob seu domínio, segundo o OSDH.

“A situação humanitária é indescritível, os moradores não têm água e eletricidade e as comunicações foram cortadas”, disse um militante. Pelo menos quatro civis foram mortos nesta segunda-feira na província.

Pelo menos 18 pessoas morreram nesta segunda-feira vítimas da violência em todo o país.

Em Genebra, o presidente da comissão de investigação internacional sobre a Síria, Paulo Pinheiro, afirmou que a “situação desesperadora” dos civis representa uma “urgência absoluta”.