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Síria está sem conexões de telefone e internet pelo 2º dia

Grupo de hackers Anonymous, que se opõe à censura, disse que vai desligar websites do governo sírio ao redor do mundo em resposta ao apagão no país

Por Da Redação 30 nov 2012, 12h49

O tráfego aéreo foi retomado em Damasco nesta sexta-feira, depois de uma noite de violentos combates na região do aeroporto. Porém, grande parte da Síria permanece isolada do mundo, sem telefone ou internet, pelo segundo dia consecutivo. Enquanto as autoridades sírias culpam os “terroristas rebeldes” pelas interrupções, os opositores ao ditador Bashar Assad acusam o governo de estar preparando um verdadeiro “massacre”.

Rami, um contador de 34 anos que vive na capital, manifestou seu mau humor. “Quinta-feira é o dia em que terminamos os pedidos e a correspondência para o fim de semana, atualmente somos totalmente dependentes das telecomunicações. É preciso resolver isso rapidamente, já temos problemas suficientes com as sanções (econômicas) e com o preço da gasolina. É esgotador”, declarou. Ghada, de 65 anos, vive sozinha em Damasco e telefona para seu filho quase todos os dias. “Ele vive em Dubai. Tenho medo de que se preocupe, porque agora não pode me telefonar, e há tensão na cidade”, afirmou.

O grupo de hackers Anonymous, que se opõe à censura na internet, afirmou que vai desligar websites do governo sírio ao redor do mundo em resposta ao apagão no país. O grupo acredita que o objetivo de Assad é silenciar a oposição. Às 8 horas desta sexta-feira (horário de Brasília), o site da embaixada da Síria na Bélgica havia caído, mas o da embaixada na China, que seria o primeiro alvo, segundo o Anonymous, continuava operando normalmente. A maioria dos sites ministeriais da Síria estava fora do ar, mas pode ser devido ao apagão.

Os Estados Unidos também acusam Assad de ter cortado as redes de comunicação, e a organização não governamental defensora dos direitos humanos Anistia Internacional considera que a intenção das autoridades sírias pode ser “esconder do mundo a verdade sobre o que ocorre no país”.

Aeroporto – Na manhã desta sexta-feira, a rota do aeroporto de Damasco, 27 quilômetros a sudeste da capital, era novamente acessível, e os passageiros embarcaram para vários voos da Syrian Air, da companhia aérea nacional, afirmou uma fonte do aeroporto de Damasco. Na quinta-feira à noite, o ministério da Informação, citado pela rede de televisão oficial, afirmou que a rota para o aeroporto, fechada desde a manhã de quinta-feira devido à violência, era segura. Porém, foram registrados violentos combates entre soldados e rebeldes ao redor do aeroporto até a madrugada desta sexta-feira, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Segundo o OSDH, os combates e os bombardeios prosseguiam em várias localidades da Ghuta oriental, assim como nos bairros do sul da capital. Dois funcionários da aviação civil teriam morrido quando viajavam em um ônibus que transportava os trabalhadores. A versão das fontes de segurança do país são outras. “O lado ocidental da rota do aeroporto está protegido, assim como uma pequena parte do lado oriental, o que atualmente permite que os viajantes a utilizem. Mas o mais difícil ainda não foi realizado. O Exército quer recuperar o controle da costa oriental, onde há milhares de terroristas, e isso levará vários dias”, disse uma fonte. O regime chama de “terroristas” os insurgentes.

A ONU informou que ao menos quatro membros de sua missão de manutenção de paz nas colinas de Golã foram baleados quando circulavam em um comboio que se dirigia ao aeroporto. Na quinta-feira, segundo o OSDH, a violência deixou 108 mortos: 41 soldados, 47 civis e 20 rebeldes. Os delegados de 67 países “Amigos do Povo Sírio”, reunidos em Tóquio, lançaram um chamado a impor um embargo petroleiro contra o regime sírio. “A violência dura mais de 20 meses e o número de mortos supera atualmente os 40.000. Há uma crise humanitária. Nós temos uma extensão da crise a toda a região”, destacou o ministro das Relações Exteriores do Japão, Koishiro Gemba.

(Com agências France-Presse e Reuters)

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