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Síria amanhece calma nas primeiras horas do cessar-fogo

Por enquanto, forças de Assad respeitam o ultimato de Annan para a trégua

O cessar-fogo na Síria entrou em vigor na madrugada desta quinta-feira, em linha com as negociações feitas pelo emissário da ONU, Kofi Annan, com o regime de Bashar Assad. O objetivo da trégua é acabar com a violência que já matou milhares de pessoas no país em mais de um ano.

Apesar da desconfiança sobre a capacidade do ditador Bashar Assad de cumprir o prazo final do cessar-fogo, a Síria amanheceu sem grandes registros de violência. “Curiosamente, estivemos ouvindo apenas o som dos passáros”, declarou para a rede CNN o ativista Abu Salah, residente de Homs, a cidade mais castigada pelo conflito. Segundo testemunhas, no entanto, as forças de Assad não se retiraram das cidades ocupadas e permanecem em alerta.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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Acordo – Após ter ignorado, na última terça-feira, o acordo firmado para a retirada do exército das ruas, Assad prometeu que iria silenciar as armas nesta quinta – prazo final estabelecido por Annan -, mas alertou que suas forças responderiam a qualquer ataque “terrorista” dos rebeldes. Os grupos opositores a Damasco também se comprometeram com o ultimato da ONU, desde que Assad cumprisse o combinado e respeitasse a trégua. Acusado em várias ocasiões pela comunidade internacional de não cumprir seus compromissos, o regime de Assad será submetido a mais uma prova nesta quinta-feira, e os Estados Unidos já advertiram que julgarão Damasco “pelo que faz e não pelo que diz”.

Descumprimentos – O regime sírio deveria ter retirado suas tropas das cidades em conflito na terça-feira, de acordo com a primeira fase do plano elaborado pela ONU e a Liga Árabe, mas isto não ocorreu. Na quarta-feira, horas após a entrada do plano em vigor, operações militares do regime mataram 25 civis, sendo 10 em um bombardeio contra Rastane, cidade da província de Homs em poder dos rebeldes há meses. Apesar do descumprimento, Annan afirmou que era “cedo para assegurar que o plano falhou”.

Cobranças – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a chanceler alemã, Angela Merkel, destacaram na quarta-feira a necessidade de uma ação “mais decidida” do Conselho de Segurança da ONU, onde Rússia e China, aliados de Damasco, têm bloqueado as resoluções que condenam a repressão.

(Com agências France-Presse e Estado)